O investimento angolano em Portugal
13-06-2012 | Fonte: Dinheiro Vivo
Basta atender aos números mais recentes do Banco de Portugal para se comprovar o entusiasmo angolano em Portugal. De janeiro a março, o investimento direto líquido de Angola em Portugal atingiu 118,8 milhões de euros, quando em igual trimestre de 2011 tinha ficado apenas pelos 22,2 milhões de euros, o que traduz um crescimento generoso de 435,2%.

O montante investido nos primeiros três meses do ano indica que Angola representa 1,5% do total do investimento directo estrangeiro em Portugal – que naquele período totalizou 1219,1 milhões de euros –, mas, ainda há dois anos, detinha uma fatia bem mais minúscula, de 0,1%.

Manuel Vicente, ministro angolano da Coordenação Económica, assumiu, em maio, que “o Estado [angolano] tem outras prioridades”, reportando-se à possibilidade de Angola participar no plano de privatizações de Portugal, nomeadamente, nas áreas dos transportes e das comunicações, contrapondo: “Estamos a olhar mais para os problemas internos que para os problemas externos”.

Também o presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, já tinha criticado a aposta portuguesa de pedir mais investimento angolano para Portugal, considerando tratar-se de uma estratégia que “condena o país ao declínio”.

No entanto, o motor dos investimentos não tem parado. As grandes operações que fizeram história começaram em 2005, com a Sonangol a injetar dinheiro na Galp; em 2007 foi a vez da petrolífera entrar no capital do BCP; em 2008, o que era na altura o terceiro maior banco angolano, o Banco Internacional de Crédito (BIC), iniciou atividade em Portugal.

 
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