Trocas comerciais entre Angola e Brasil excedem USD 1 bilião
15-06-2012 | Fonte: O País
Falando à margem da cerimónia de tomada de posse dos novos corpos sociais da organização que liderou por dois anos, Alberto Esper referiu ainda que as trocas comerciais entre Angola e Brasil já estiveram num nível bem mais alto do que estão hoje, pois ‘chegámos em 2008 acima dos USD 4 biliões nas trocas comerciais e hoje andamos em USD 2 biliões e, em 2011, fechámos o ano com USD 1,144 biliões nas trocas comerciais’, referiu. Para Alberto Esper, tal constitui “o reflexo da crise internacional que se abateu sobre todos os países, cada um sentiu-a de uma forma diferente em função da sua realidade actual”. “As linhas de crédito do Brasil para Angola foram ampliadas recentemente em mais de USD 2 biliões, superando os USD 4 biliões em linhas de crédito para obras de infraestruturas, de desenvolvimento, coordenadas e defendidas pelo Governo angolano com capital brasileiro e isso faz de Angola um dos principais parceiros brasileiros do mundo e seguramente o maior parceiro brasileiro de África”, apontou.
Transferência de Know-how
Questionado sobre quais os ramos em que as empresas brasileiras têm maior presença e se só estão baseadas em Luanda, o nosso interlocutor referiu-se aos ramos da construção civil, mercado imobiliário, saúde, educação comércio geral, agricultura, máquinas e equipamentos, alimentação, consultoria e projectos.
“Algumas têm a sede em Luanda mas actuam em diversas províncias, algumas em todas as províncias e outras têm a sua base para além de Luanda e outras ainda têm a sua base em Luanda mas com maior concentração em Luanda por ser a capital do país”.
O presidente cessante da AEBRAN salientou que a maior empresa brasileira em Angola é a Odebrecht que actua em áreas diversificadas, principalmente em projectos estruturantes no país. “É a mais antiga e a maior”, disse, enaltecendo o contributo que as empresas brasileiras estão a dar para o desenvolvimento de Angola com a passagem de knowhow para os angolanos.
“Essa questão da qualificação da mão-de-obra angolana vem melhorando a cada dia, a cada ano, tanto pelo próprio esforço do Governo angolano, como pela colaboração das políticas das empresas de formação que têm e então cada vez mais é menor a necessidade de se importar mão-de-obra para os projectos em Angola porque se encontra cada vez mais mão-de-obra qualificada angolana, muito embora seja importante notar e reconhecer que ainda não existe na quantidade que se precisa e isso acontece também no Brasil, que está num ritmo de crescimento da economia que precisa de muitos técnicos e, muitas vezes, os próprios brasileiros não conseguem suprir essa necessidade em quantidade suficiente, existindo também a entrada de técnicos estrangeiros no Brasil, assim como existe em Angola e isso ainda é necessário”, sublinhou.
Alberto Esper referiu que as empresas brasileiras vêem com bastante interesse e respeito o mercado angolano “pela forma como este se está a organizar. A demanda reprimida que se criou no período da guerra provocou uma corrida aos projectos logo depois de 2002 e foi necessário muita visão e muita estratégia por parte do Governo para que se fosse rapidamente organizando os sectores e o país”, disse.
Novo presidente da AEBRAN quer valorizar a classe
O presidente eleito da Associação de Empresários e Executivos Brasileiros em Angola (AEBRAN), Renato Azevedo, pretende, ao longo do seu mandato de dois anos, valorizar cada vez mais a actuação dos membros da organização de forma que estes reconheçam o valor que a associação tem para a defesa dos seus interesses.
Em declarações a O PAÍS, Renato Azevedo, que também dirige a Galp Energia em Angola, disse que uma das prioridades da associação é desenvolver um plano estratégico para atender as expectativas dos associados e as metas da sua gestão, tendo chamado a atenção dos associados para o bom desempenho da organização ao longo dos nove anos de existência, lembrando ainda que a realização de fóruns económicos que serviram para unir empresários e executivos brasileiros em Angola e elevar o nível de conhecimento acerca do pais.
Renato Azevedo defendeu igualmente que os ganhos da associação foram enormes ao longo destes anos, tendo destacado, entre outras, as iniciativas apoiadas pela associação e a abertura em Luanda de um escritório de representação do Banco do Brasil.
Questionado sobre se o bom desempenho da economia brasileira nos últimos anos se poderá reflectir em Angola, o executivo brasileiro referiu que “a economia brasileira vai bem, a angolana vai bem também, acho que as duas nações estão no meio da crise financeira internacional, estão a sobreviver”.
Ao caracterizar os investimentos que as empresas brasileiras estão a realizar em Angola, Renato Azevedo reputou-os de bastante importantes, apesar da crise. “Foram reduzidos mas já tiveram um patamar bastante elevado e, actualmente, foi aprovada uma ampliação da linha de crédito do Brasil com Angola, o que é muito salutar para os empreendedores dos dois países”, disse.
No que concerne à actuação das empresas brasileiras no mercado angolano, o interlocutor apontou a construtora Norberto Odebrecht como a mais importante, mas salientou outras como a Camargo Correa, a Queiroz Galvão, a Petrobras e a GDK Angola.
Refira-se que a AEBRAN congrega mais de 50 empresas associadas, que actuam nas áreas da construção civil, mineração, venda de veículos, medicamentos, agro-indústria, agropecuária, comunicações, navegação, petróleos, propaganda e marketing e um dos seus objectivos é fortalecer o intercâmbio comercial, económico, cultural e social entre o Brasil e Angola, estreitando os laços de cooperação e amizade entre os dois países.
Nova direcção
A nova direcção da Associação de Empresários e Executivos Brasileiros em Angola(AEBRAN), que tomou posse terça-feira em Luanda, numa cerimónia simples, presenciada pela Embaixadora do Brasil, Ana Cabral, tem como presidente executivo Renato Azevedo, da Galp Energia, e como vice-presidente Cleber Correa da Proimoveis, sendo que Arlete Holmes, da Climed, ocupa o cargo de secretária executiva.
Pompilio Santana da Wengi Wengi está encarregado da direcção comercial; Carlos Pollo, da MNC, da área de Relações Institucionais, enquanto Cláudio Holanda, da ISPAN, se encarrega da área social. A comunicação é dirigida por Maurício Santana, da Engenho Novo, e o Tesoureiro é Davilson Ribeiro, da Capitolium. A Assembleia Geral é presidida por Raimundo Lima, do grupo Aldeia.
A tomada de posse deste elenco da AEBRAN foi marcada por uma palestra com o tema “O desempenho da economia angolana nos últimos 10 anos”, cujos oradores foram o representante do Banco Mundial em Angola, Elio Codato, e a Embaixadora do Brasil, Ana Cabral, esta última que falou da balança comercial e os investimentos brasileiros em Angola.
Comentários
Quer Comentar?
Últimas Notícias
- Angola convidada a acolher a...
- Caso Quim Ribeiro chega ao fim no...
- Administração da Ensa desmente...
- Banco BIC dá crédito com juros...
- Sebem muda de género musical
- Volume de prémios no sector de seguros...
- Endiama celebra 100 anos da descoberta...
- Futebol: Vata e Sargento regressam ao...
- Futebol: Miller Gomes é novo treinador...
- INAC em Luanda notifica mensalmente...
Questionário
A CASA de Abel Chivukuvuku:

