MPLA surpreende na frente
15-06-2012 | Fonte: O País
Surpresa, se se admitisse neste caso, só mesmo para quem dedicou dias e dias a especular sobre hipotéticas saídas de cena do Presidente já este ano. Os dados em momento algum indicaram esta possibilidade.
A partir daqui, olhando para a lista que o MPLA elaborou, as coisas merecem outras análises. Mas apenas porque a constituição diz que o cabeça de lista é o candidato a Presidente da República e o número dois é o candidato a Vice-presidente. Se se esperar que dentro de uma lógica qualquer, não oficial e muito menos constitucional, que, para prover os mais altos cargos do Estado, o terceiro nome poderia ocupar o lugar de presidente da Assembleia Nacional, então a lista do MPLA começa, de facto, a merecer algumas leituras e a trazer algumas surpresas.
Desde já porque se esperaria que o actual Vice-presidente da República fosse constar num lugar que tivesse algum paralelo com um alto posto na hierarquia do Estado. Mas isto é mera especulação. Roberto de Almeida surge em terceiro na lista de candidatos mais por força da sua condição de vice-presidente do MPLA que propriamente por lhe estar reservado o lugar de presidente da Assembleia Nacional. Os candidatos são apresentados por uma formação política, não por um governo.
Mulheres em paridade
Se retirarmos os dois primeiros candidatos, que em caso de vitória ocuparão os lugares cimeiros do Estado, observa-se facilmente que nos nomes que vão até ao posto número dez há quatro mulheres e quatro homens.
Se subirmos até ao número catorze, mesmo incluindo o cabeça de lista e o segundo nome, teremos sete mulheres para sete homens. E é esta configuração que leva a procurar outros nomes.
Fernando da Piedade Dias dos Santos, actual Vice-presidente da República, aparece no posto número quinze, depois de Amélia Quinta, Elisa Kata e Luzia Inglês, só para citar algumas das senhoras. O que faz pensar que Fernando da Piedade Dias dos Santos não estará, provavelmente, num dos primeiros lugares do futuro Governo, o que aliás, representaria uma despromoção, já que Manuel Vicente é o virtual Vice da República. Sendo que Roberto de Almeida deverá manter-se no MPLA até pelo menos ao próximo congresso do partido, pode-se especular também que Dias dos Santos poderá deixar o Executivo e ocupar-se apenas de uma pasta do Estado que poderá ser a presidência do Parlamento.
E Kassoma, para onde irá?
Alegadamente caído em desgraça no Governo, como se especula na comunicação social, o actual ministro de Estado e Chefe da Casa Civil, Carlos Feijó, surge na lista num lugar claramente elegível, fazendo antever o seu futuro político imediato como deputado.
Entretanto, a pergunta que não cala, olhando para a lista e ainda observando a tal lógica que nada tem a ver com o que indica a Constituição, é sobre o futuro do actual presidente da Assembleia Nacional, um homem que galgou postos importantes do Executivo e do Estado depois de uma governação muito elogiada no Planalto Central. António Paulo Kassoma está na lista na posição número quarenta e um.
Um lugar elegível, sem dúvida, mas que faz também pensar que poderá ser um quadro aproveitado para a governação. Mais uma vez a lógica partidária a descolar-se da lógica da importância dos lugares ocupados no Estado ou no Executivo. Ou, forçando, mais um nome importante a surgir num lugar mais recuado que o que se esperaria na lista de candidatos a deputados.
“Primeiro” na província em primeiro
Nas províncias em que o governador é também primeiro secretário do MPLA, ele ocupa o primeiro lugar da lista para o círculo provincial. Nas outras, como é o caso da Huila, por exemplo, o actual governador concorre pelo círculo nacional. Ou para não aparecer num lugar abaixo do homem do partido, ou porque a eleição pelo circulo nacional acaba por ser uma espécie de compensação se não tiver lugar no próximo governo provincial ou no Executivo central.
Antigos mais afastados
Do todo da lista do MPLA, de candidatos ao Parlamento, e olhando para os lugares mais recuados ocupados por alguns dos mais antigos membros do Bureau Político do partido, é também observável uma subida da geração mais nova, como é o caso de Gustavo da Conceição, que surge agora no posto onze. E se ainda na lógica que vimos observando olharmos para a disposição dos actuais membros do Executivo, não será despiciendo julgar que o próximo governo será ele próprio rejuvenescido. Ora pela promoção de alguns jovens que a lista aparenta, ora pela “diminuição” da importância que alguns dos mais antigos da lista também faz crer. É que pense-se o que se pensar, o povo ainda julga que os primeiros são mesmo os mais importantes, independentemente do que diz a Constituição.
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