A anunciada «deserção» dos ilhos do histórico militante do MPLA, Agostinho Mendes de Carvalho, ou Uanhenga Xitu, como também é conhecido, além de ter gerado as mais díspares reacções na sociedade e, sobretudo, no seio dos «camaradas», também terá sido um «duro golpe» para o pai, que não assimilou bem a novidade, a fazer fé em informações que circulam a propósito.
Ao que soube o Semanário Angolense, o «mais-velho» Mendes tem sido como que pressionado e até criticado por companheiros do partido que lhe têm pedido explicações pelo facto dos seus filhos se terem bandeado para a coligação CASA-CE liderada por Abel Chivukuvuku.
Uma fonte familiar, contactada pelo SA, disse: «o Ti Mendes está ‘muito em baixo’ por causa do alvoroço que o assunto está a gerar. O telefone não para de tocar, estão a mandar-lhe mensagens críticas e até de gozo e isso causou um choque ao ‘mais-velho’, que até já não tem boa saúde».
A fonte, que é parente directo de Mendes de Carvalho, disse ainda que tais reacções ao assunto fizeram com que o velho político convocasse de imediato uma reunião familiar, para a qual pediu a presença de toda a gente.
«Nós, os sobrinhos, fomos avisados para não faltarmos, mas a reunião, que devia ter sido no sábado passado, 09 do corrente, não aconteceu, porque o Ti Mendes passou mal. É que esta situação o deixou muito triste e abatido, pelo que se adiou-se a reunião para este sábado, 16, isto se ele estiver bem», revelou a nossa fonte.
Referiu ainda que não sabe o objectivo da reunião, mas de certeza que terá a ver com a saída dos seus primos do MPLA. «Nós não sabemos o que se vai tratar realmente, mas tudo indica que tem a ver com o caso dos nossos primos que foram para a CASA-CE.
É possível que o velho nos queira passar um ‘raspanete’, porque os mais jovens, hoje, não respeitam nem se cingem aos padrões da tradição familiar. Ele é muito conservador e não admite desobediências ou descaminhos como o dos ilhos, que está a manchar a sua imagem e nome», elucidou.
Mas, um outro sobrinho de Mendes de Carvalho, que é jurista, já não alinha pelo mesmo diapasão do primo. «Os dois ilhos são maiores de idade e responsáveis pelos seus actos e ninguém tem o direito, mesmo o pai, de comandar as suas decisões e, neste caso, muito menos os colegas de trabalho ou do partido. Cada um sabe com que linhas se cose e ponto inal. Não vejo nenhuma razão para que o nosso tio tenha que convocar uma reunião familiar para analisar a atitude dos seus ilhos», censurou.
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