O fim da picada para o ‘maquisard’ Ngola Kabangu?...
23-06-2012 | Fonte: O País (Reginaldo Silva)
É, no mínimo, o que sugere a mais recente negação pelo Tribunal Constitucional da recepção das candidaturas preparadas pela sua ala, há um tempo, já previsível com o reconhecimento do seu arqui-rival na liderança da FNLA, Lucas Benghim Gonda, desde o ano passado.

Nascido no Bairro Operário, em Luanda, de 69 anos de idade, o político que ora conhece o ocaso, pelo menos no que à FNLA diz respeito, foi um dos militantes de primeira hora, aonde entrou em 1958 como militante da célula clandestina da UPA, no Sambizanga, coordenada por Domingos Mateta.

Quatro anos depois de ter milita do nessa condição, deixa Luanda em Março de 1962 e parte para a RDC, onde chega a 1 de Abril desse mesmo ano, na região de Muanda. A partir dessa altura ocupa vários cargos na hierarquia da FNLA, entre os quais secretário-geral adjunto da UPA, responsável pelo pessoal no Estado Maior do ELNA, de que foi seu membro.

Também foi ministro do Interior e coordenador dos serviços de segurança da FNLA, cumulativamente com as de coordenador do departamento de formação e orientação de quadros, no período de 1972 a 1975.

Tido como indefectível do líder fundador, Holden Roberto, Ngola Kabangu participou a partir de 1975 nos principais momentos negociais que levariam à escolha da data de proclamação da Independência nacional, nomeadamente nas cimeiras de Alvor e Nakuru, esta última destinada a salvar o Governo de Transição proclamado a 31 de Janeiro de 1975, onde exerceu as funções de ministro do Interior.


Membro do BP da FNLA desde 1976, Kabangu ocupou sucessivos cargos de relevo como os de secretário permanente do BP, secretário geral, 2º vice-presidente, presidente interino e presidente efectivo no termo do congresso de Novembro de 2007.


Concorre um ano depois às eleições, faz eleger três deputados e toma posse como parlamentar a 30 de Setembro de 2008, tendo sido empossado membro do Conselho da República em Fevereiro de 2009.

No parlamento integra, actual mente, a 3ª Comissão (Relações Exteriores, Cooperação Internacional e Comunidades Angolanas no Estrangeiro), além de liderar a bancada parlamentar de onde sempre assumiu uma postura de “oposicionismo republicano”. No seu passado consta ainda a participação na Comissão de Inquérito que investigou a trama que levou à morte de Amílcar Cabral, o líder guineense do PAIGC.


E é de trama que fala, quando se refere ao processo que o levou a perder a presidência legal do partido, tendo o repetido no momento em que pro tagonizou um golpe de teatro à porta do Tribunal Constitucional que se recusou a receber o seu processo.


E, no fim, pode-se dizer que a carreira de Kabangu na FNLA e provavelmente a sua carreira política terminou à por ta do TC, ficando-se por saber que destino terá Lucas Ngonda depois de contados os votos de 31 de Agosto.

 
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