Uma fahita, por favor!
23-06-2012 | Fonte: O País
O jovem Helder, 31 anos, estudante de gestão, garante à reportagem de O PAÍS no restaurante AL Amir, nas imediações do Xamavo, que consome mais a fahita do que os outros pratos de origem muçulmana. O jovem confessa que saboreou pela primeira vez o pão sem fermento no Dubai, onde se encontava em passeio turístico e hoje faz do Al Amir a sua casa predilecta, sempre que quiser comer uma fahita.
Helder elogia a presença destes serviços, pelo facto de garantir mais empregos aos jovens angolanos que têm formação na área de hotelaria e turismo, além de que alguns não vendem bebidas alcoólicas. O restaurante AL Amir é de origem libanesa e, apesar de ser de segunda classe, a fahita é dos alimentos mais solicitados pelos clientes. Os outros pratos são servidos por encomenda. O uso e consumo de bebidas alcoólicas não são permitidos no local. Mesmo estando em Luanda, onde os hábitos e costumes são diferentes, os muçulmanos cumprem à risca com estes princípios. Os clientes consomem água, sumo e gasosas.
Os apreciadores da cerveja ou do vinho preferem encomendar “takeaway” e procurar um local que se adapte ao seu ambiente. O gerente do AL Amir, Délcio Faria, garante que o seu restaurante é muito concorrido, sobretudo aos fins –de semana, porque algumas pessoas preferem experimentar outros pratos para além da fahita.
Delcio Faria adianta que raras vezes confeccionam pratos típicos angolanos. Segundo o gerente tal acontece mais quando se trata de pedidos que estão ao dispor da casa. O responsável reconhece que com a abertura de outras casas, o preço da fahita tende a uniformizar-se, porque cada casa pratica o seu preço.
No AL Amir, a fahita custa 800 Kwanzas.No Alvalade, Rua Garcia de Resende, localiza-se o restaurante Bell France, um dos pioneiros na venda das fahitas na cidade de Luanda. Outros pratos fazem parte do menu da casa. No estabelecimento, a reportagem de O PAÍS tentou contactar a respectiva gerência para saber mais sobre o quotidiano dos clientes e dos funcionários, mas sem sucesso.
O funcionário em serviço fez saber que o gerente estava ocupado e que voltássemos no dia seguinte. De volta ao local, o mesmo funcionário disse que o gerente havia saído, alegando que estaria disponível no outro dia. Mesmo sem as palavras do gerente, pessoas de vários estratos sociais estavam no local a consumir o produto. Enquanto uns esperavam, outros aproveitavam o tempo para ler os jornais de fim-de-semana. Nesta zona existem mais casas que comercializam a fahita, mas é ao Bell France que a maior parte das pessoas se dirige.
O conforto e a forma como são tratadas atraem cada vez mais os clientes. Pedro Silva, abordado no local pela reportagem do O PAÍS disse que sempre que vai à discoteca toma o pequeno almoço no Bell France por estar acostumado a comer fahita todas as manhãs. Enquanto esperava pela fahita, Silva tomava uma água para repor as energias, até porque, confessou, a noite na discoteca fora dura. O jovem é cliente assíduo do restaurante.
No Kinaxixe, o Big Bite, é a casa indicada para se saborear uma fahita, apesar de existirem restaurantes e casas especializadas em venda de hamburguers e cachorros quentes. Neste momento o Big Bite está encerrado para obras e balanço. A casa só reabre as portas ao público no próximo mês, tazão porque a equipa de reportagem não conseguiu apurar se é ou não pertença de cidadãos muçulmanos. Um outro estabelecimento de fahita e pratos típicos muçulmanos localiza-se no Morro Bento junto do Instituto Superior Politécnico Metropolitano (IMETRO).
O restaurante é frequentado pelos estudantes desta instituição de ensino. Os estudantes optam mais pela fahita por ser um “fast food” e com várias opções, com excepção para a carne de porco. A carne suína não faz parte dos hábitos e costumes destes povos.
Hamburguer perde terreno
Com a comercialização da Fahita um pouco por toda a cidade, os hamburguers e cachorros quentes vão perdendo terreno. Hoje, os consumidores optam mais produto confeccionado no restaurante dos libaneses.
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