Futebol: Pedro Neto termina mandato com ganhos e alguns enguiços
23-06-2012 | Fonte: SA
Eleito a 16 de Junho de 2011, num muito mediático, animado e renhido escrutínio extraordinário, que poria fim ao consulado de Justino Fernandes, que lá estava desde o ano deque 2000, Pedro Neto completa neste sábado (16), um ano de mandato, numa altura
em que praticamente tem a luz verde de todas as associações provinciais para ficar até 2016.

Pedro Neto e seus pares haviam levado a melhor sobre o concorrente Artur Almeida, por 58 votos a favor, contra 27 arrebatados por esse empresário e homem do futebol. E, na altura, o então novo presidente da FAF prometeu desenvolver acções a curto prazo, isto é num ano, para voltar a merecer nova aposta dos seus apoiantes, caso houvesse as eleições normais, como eram de esperar.

No entanto, o presidente da Mesa da Assembleia-Geral, António França, não as convocou, em contravenção aos estatutos, uma vez que tinha de o fazer em Março.

O que é realidade é que Pedro Neto já recebeu voto de confiança da maioria das associações provinciais, algo que o deixa tranquilo em relação à continuidade, restando saber quando é que se «vai
repor a legalidade».

Um ano depois, olhando-se hoje para a «obra» do presidente da FAF nesse curto período de um ano – justamente num dia em que ele comemora mais um aniversário natalício – há a conferir que apenas um dirigente teve a coragem de abertamente dizer que está
arrependido em apostar na candidatura e vitória do actual número
um do organismo reitor do futebol angolano.

Trata-se de Bento Cangamba, presidente e patrão do Kabuscorp do Palanca. Fê-lo numa altura em que desconfiava que a FAF, já com Pedro Neto a liderar, estava a fazer vista grossa a desconfiadas actuações de alguns árbitros em suposto prejuízo da sua equipa.

Fora disso, algumas iniciativas da equipa de Pedro Neto têm merecido aplausos quase gerais, sendo a última delas a decisão de intimar um total de 23 clubes que actuam em várias competições sob a sua égide, para pagarem as dívidas contraídas com dirigentes
e atletas, bem como as resultantes de multas aplicadas pela FAF aos
clubes, por diversas infracções durante o ano passado.

Confrontada com o «fecho da torneira» do Estado, a FAF, com Pedro Neto à testa, decidiu «atacar» antigos patrocinadores da federação para que voltassem a apoiar a instituição, tais como a
Unitel, empresa de telecomunicações, a Unicer, proprietária da cerveja Cristal e da água Caramulo, a Puma, a Sonangol e outras.

Estes contactos estenderam-se a Portugal, onde Pedro Neto pretendeu retomar também alguns patrocínios, visando a melhoria das condições da selecção nacional, além de ter ido recolher experiência no capítulo da regulamentação e legislação para o futebol.

Graças a essa experiência, a Federação Angolana de Futebol conseguiu fazer com que os clubes normalizassem os métodos de transferência e inscrição de jogadores, em particular dos estrangeiros.

Nessa ofensiva além fronteiras, Pedro Neto foi ainda à FIFA, em Zurique (Suíça), onde participou na reunião do Comité de Estádios
e Segurança, aproveitando estabelecer contactos com homólogos de
outros países.

Em África, Pedro Neto, à margem do CAN realizado em Fevereiro deste ano, convidou o presidente da FIFA, Joseph Blatter, a visitar Angola, para tentar fazer com que o país continue e estar na lista do «Projecto Gol», que permite a construção de campos sintéticos,
instalação de um sistema informatizado de inscrição e transferência de jogadores e a possível integração de membros da FAF em comissões do organismo que superintende o
futebol mundial.

A grande barraca com que a FAF moldada a Pedro Neto chega
neste sábado com um ano de mandato prende-se com a dívida dos jogadores que estiveram presentes na final do CHAN em 2011 (ver caixa à parte).
 
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