Kalandula: capital económica de Malange
28-06-2012 | Fonte: Sol
Kalandula, um dos 14 municípios da província de Malanje, afigura-se como um elemento incontornável quando se vai falar de turismo em Angola, pois as Quedas de Kalandula, com uma extensão de 410 metros e 105 de altura, proporcionam a todos os que aí se desloquem uma deslumbrante paisagem natural.

A região dispõe igualmente das Quedas do Musseleje e de outros encantos. Aprovado por decreto presidencial n.º 54 e 56 de 11 de Março de 2011, Kalandula será elevado à categoria de pólo turístico, abrangendo uma extensão de 20 quilómetros de superfície. Para tal, José Eduardo dos Santos, Presidente de Angola, nomeou a direcção do referido pólo, que já trabalha na elaboração de um plano director para a edificação e funcionamento do mesmo.

Para materializar este objectivo, está previsto a construção de toda uma série de infra-estruturas de apoio ao sector do turismo, que vão desde hotéis, restaurantes, pensões, e todos os outros elementos indispensáveis a «indústria da paz». Toda uma infra-estrutura que custará aos cofres do Estado, um valor estimado em 50 milhões de dólares, conforme fez saber Manuel Campo, administrador de Kalandula, ao SOL.

Localizada na zona adjacente às Quedas de Kalandula, estas infra-estruturas proporcionarão aos habitantes daquela província, mais de três mil postos de trabalho, sendo que, pela quantidade de visitas que se estima, poderá ser Kalandula a capital económica da província da Palanca Negra Gigante.

Faltam salas de aulas

Com sete mil quilómetros quadrados de superfície, e uma população estimada em pouco mais de cem mil habitantes, onde a principal actividade económica é a agricultura, Kalandula dispõe de 26 escolas primárias, uma escola do 2.º ciclo do ensino secundário, estando em construção o Instituto Médio Agrário de Kalandula, que surge graças ao financiamento da empresa petrolífera Esso.

No presente ano lectivo, estão matriculados 15.735 alunos, estando fora do sistema de ensino pouco mais de seis mil alunos. Para que todos os alunos estejam inseridos no sistema de ensino, Manuel Campo, administrador de Kalandula, defende a necessidade de serem erguidas mais salas de aulas. Defendeu igualmente a necessidade de técnicos com mais habilitações, pois confronta-se com o facto de a maior parte dos docentes, não serem técnicos médios ou superiores. «Já se pode falar de qualidade de ensino em Kalandula, porque graças aos planos de formação e refrescamento que têm sido aplicados, os professores têm estado à altura de atender as exigências, mas preocupa-me cada vez mais a necessidade de mais professores qualificados», apontou Manuel Campo. Este sector conta com 500 professores em Kalandula.

Saúde em Kalandula

O município dispõe de apenas um único médico e 38 enfermeiros para atender mais de cem mil habitantes. Kalandula tem mais de 400 aldeias. Para levar a assistência médica a todos os municípios, a administração capacita promotores de saúde, ou agentes comunitários: estes procuram atender as necessidades de saúde das populações nas aldeias, sendo que os casos que inspiram mais cuidados são levados às principais unidades de saúde. Kalandula conta com 18 unidades de saúde, das quais 16 estão em funcionamento. Dispõe igualmente de dois postos de saúde, um da Igreja Adventista e outro da Igreja Católica. O município ganhou nos últimos tempos um centro materno-infantil, erguido de raiz.

Neste momento, está em obras o Hospital Municipal de Kalandula, que tem como data prevista para a sua inauguração o mês de Agosto. Segundo Manuel Campo, «todas as comunas receberão Centros de Saúde nos próximos meses».

Uma economia de subsistência

O surgimento do comércio, embora «tímido», dá sinais de alguma mudança e aproximação de bons tempos para este município rico em turismo. Kalandula tem hoje uma unidade hoteleira de duas estrelas e pensões.

A actividade económica em Kalandula é caracterizada por uma economia de subsistência, ou seja, sem haver produções em quantidades suficientes para proporcionar excedentes que possam ser levados aos grandes mercados, ou à indústria transformadora.

Energia virá de Kapanda

A falta de corrente eléctrica da rede faz com que todos os dias, sejam gastos mais de 1.500 litros de combustível para alimentar os geradores que produzem energia para a cidade. É um problema que poderá ter os seus dias contados, uma vez que com a edificação do Pólo Turístico de Kalandula o município contará com a energia vinda de Kapanda.

Segundo Manuel Campo, a estiagem que assolou Kalandula, durante o ano passado, tem causado dificuldades aos camponeses em honrar os compromissos com os bancos, no âmbito do Crédito de Campanha. «Para resolver esta situação, pedimos aos bancos uma moratória, de forma a tornar possível que os camponeses consigam pagar os créditos recebidos», disse Manuel Campo. Continuou dizendo que, «já há sinais de algum excedente, mas as vias de acesso secundárias têm dificultado o escoamento dos produtos». «Estamos bastante preocupados em proporcionar moageiras às populações, porque a falta delas tem prejudicado muito as senhoras daquela região, que se dedicam à produção de fuba de bombo e milho».

Com a edificação do Pólo Turístico de Kalandula, esta parcela ganhará uma nova dinâmica e poderá alcançar o crescimento tão esperado por aqueles habitantes
 
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