Regime cambial do sector petrolífero tem efeitos sobre a vida dos angolanos
29-06-2012 | Fonte: JA
Angola vai sentir o impacto da entrada em vigor do novo regime cambial para o sector petrolífero em 2013, com o aumento do “stock” dos meios de pagamento e dos fluxos financeiros, declarou o vice-governador do Banco Nacional de Angola (BNA).

Ricardo Abreu, que falava ontem, em Luanda, na abertura da conferência sobre “O capital humano nacional e o desenvolvimento do sistema bancário em Angola”, considerou que a interacção com organizações multinacionais que operam no sector petrolífero angolano, já tem impacto sobre o processo de formação dos quadros que actuam no sistema financeiro.

O novo regime cambial, aprovado no final de 2011 pelo parlamento, foi instaurado sobre os grupos petrolíferos que operam em Angola e obriga as companhias a abrirem contas em moeda local, kwanza, no sistema bancário nacional.

Quando entrou em vigor, o governador do BNA, José Massano, explicou que, num primeiro momento, o novo regime cambial vai permitir administrar os fluxos financeiros do petróleo graças aos capitais que transitarão pelo banco central.

Previu, então, que a medida vai repercutir-se na economia nacional e equilibrar o mercado de câmbio em Angola. As empresas petrolíferas que têm operações em Angola tiveram concedido um prazo de um ano para pôr em prática essa medida.

Ao falar sobre o tema da conferência, o vice-governador do BNA disse que, embora o crescimento da economia nacional esteja reconhecido em Angola e no estrangeiro, o sector tem o desafio de reforçar a capacidade institucional das empresas, que só têm êxito com um esforço no investimento comprometido do capital humano.

Na sua intervenção focou temas que considera fundamentais para a banca angolana, como é o caso da gestão de riscos, as regras do combate ao branqueamento de capitais e do financiamento ao terrorismo, do controlo interno e da governação corporativa.

Combate ao crime

O vice-governador alertou que, no processo de formação do capital humano, é preciso ter-se em conta a necessidade de incluir ferramentas e práticas de combate ao crime, questões com as quais Angola está comprometida ao mais alto nível político, junto do grupo de acção financeira internacional.

Nesse sentido, Ricardo de Abreu considerou que a melhoria da gestão de risco  bancário está associado ao combate ao branqueamento de capitais e ao financiamento do terrorismo, e recordou que, em Fevereiro deste ano, o grupo da acção financeira internacional adoptou novas recomendações para o combate ao branqueamento de capitais.

A integração financeira dos mercados, além de acarretar riscos inerentes a um contexto mais incerto e complexo, permite aumentar os fluxos de capitais entre agentes com variados propósitos, disse.

A conferência, uma iniciativa da Escola Nacional de Administração (ENAD), discutiu temas como a oferta de recursos humanos nacionais e as necessidades do sector bancário angolano, a relevância do capital humano para o desenvolvimento do sistema financeiro e o papel das universidades angolanas na oferta de capital humano para o sector financeiro, entre outros.
 
 
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