Angola defende reflexão profunda para resolver conflitos em África
12-07-2012 | Fonte: Angop

Angola continua disposta a dar o seu contributo para se encontrar uma solução de paz definitiva para conflitos que afectam a região dos Grandes Lagos, declarou nesta quinta-feira, em Addis Abeba (Etiópia), o secretário de Estado das Relações Exteriores.


Manuel Augusto falava à imprensa, à margem da reunião do Conselho Executivo da União Africana, que decorre em Addis Abeba (Etiópia) para preparar a XIX Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da organização, a se realizar de 15 a 16 deste mês.


“Angola, enquanto membro do conselho de paz e segurança, da Conferência dos Grandes Lagos e da Comunidade de Estados da África Central (CEAC) está disposta e tem dado o seu contributo para encontrar uma solução na região dos Grandes Lagos”, realçou.


Defende uma abordagem das causas profundas da recorrência de conflitos na República Democrática do Congo (RDC).


Afirmou que a estabilidade na RDC interessa a todos os países africanos por fazer fronteira com nove países e, por isso, a abordagem destes conflitos têm de ser cada vez mais aprofundada para se encontrarem soluções definitivas.


Manuel Augusto disse que a relação de animosidade entre a RDC e o Ruanda deve ser resolvida pelos dois países, mas todos devem ajudar.


Valorizou a criação, há cerca de 10 anos, da Conferência dos Grandes Lagos, sublinhando que na altura já se percebia que, mesmo tendo sido encontrada uma solução pontual para os conflitos na RDC, era previsível que podiam ser recorrentes e cíclicas.


Explicou que a Conferência dos Grandes Lagos é um fórum importante para a procura de soluções para os problemas que afectam uma região da qual Angola também faz parte.


O diploma informou que na quarta-feira foi realizada em Addis Abeba uma reunião sobre os Grandes Lagos e espera que as recomendações do encontro sejam presentes aos Chefes de Estado para que se possa de facto ajudar o Ruanda e a RDC pararem com a confrontação indesejável e com outros países vizinhos procurarem soluções definitivas para os conflitos.


Lamenta o facto de questões sobre paz e a segurança no continente continuem a ser a tónica dominante das cimeiras de Chefes de Estado e de Governo, quando deviam debater desenvolvimento, o progresso e bem-estar para a população.


“Infelizmente os conflitos são persistentes, continuamos a não privilegiar o diálogo, como via de solução das diferenças”, havendo, por isso, necessidade de continuar a trabalhar cada vez mais para que se encontrem soluções definitivas para os conflitos.


Considerou também preocupante o facto de voltarem a se registar golpes de estado e voltou a aconselhar para a reflexão sobre as causas profundas destas insurgências, buscando soluções definitivas e evitar acordos ou alianças que não resolvem problemas nenhuns.


Questionado sobre a utilidade da UA, respondeu que a importância é indesmentível. Sem uma organização aglutinadora dos estados africanos seria muito mais difícil a afirmação do continente.


O secretário de Estado para as Relações Exteriores acha que a organização tem de ser mais dinâmica e se adaptar aos novos tempos.


“É necessária a mudança, principalmente, quando é para melhor”, enfatizou.


Disse que apesar disso, a África já regista bons exemplos de democratização e de crescimento económico, fruto de políticas adoptadas por alguns governos.


Defendeu uma maior unidade entre estados africanos porque os outros continentes procuram explorar as fraquezas de África.
 
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