Oposição pede aos EUA para impedir fraude eleitoral em Angola
18-07-2012 | Fonte: VOA
Os partidos políticos na oposição e organizações juvenis instaram ao governo americano, a tomar medidas enérgicas para se impedir a fraude eleitoral em Angola, com propósitos de evitar uma revolta popular cujas consequências poderão ser maiores.

As advertências surgem na sequência da visita que o Embaixador dos Estados Unidos da América em Angola, Joseph J. Mcmullen, efectuou a Benguela, onde manteve encontros com as autoridades governamentais, partidos políticos e membros da sociedade civil.

Os diferentes actores falam da crise social, reconhecem os ganhos relativos da paz e receiam uma convulsão social, antes ou depois das eleições. O embaixador Mcmullen participou no “Quintas de Debates”, um espaço promovido pela associação cívica Omunga.

O diplomata americano debruçou-se sobre o tema “ A Evolução da Democracia Norte Americana, Lições para Angola”.

Os diferentes sectores da sociedade em Benguela, consideraram diplomaticamente correcta a postura do embaixador durante os debates, mas afirmam que o clima de tensão em Angola não se resolve com discursos diplomáticos.

Na ocasião o embaixador anunciou a pretensão do seu governo investir cerca de dois milhões de dólares, para a edução cívica eleitoral, observação e capacitação dos jornalistas para a cobertura eleitoral.

A VOA, Martins Domingos, presidente do Fórum de Auscultação e Participação Juvenil de Benguela, considerou inútil este investimento, alegando que espera que os americanos usem a sua influencia para persuadir as autoridades angolanas a realizarem eleições livres justas e transparentes para se evitar conflitos.

“ O apelo que eu deixo ao governo americano e ao executivo angolano é quando o processo sair mal o povo é que será sacrificado” disse aquele líder juvenil, acrescentando que “ em países com processos iguais quem ficou desalojado foi o povo em função deste cinismo das instituições internacionais e nacionais.”

Alberto Nagalanela, secretário provincial da UNITA, disse que, existe a percepção que os americanos estão mais interessados com o petróleo do que com o sofrimento dos angolanos, mas concorda com as afirmações do embaixador de que o problema angolanos depende muito das dinâmicas locais reivindicativas e exigências legítimas dos vários actores.

“ Os intervenientes acham que os Estados Unidos não têm exercido com toda sua influência acções que possar persuadir o governo angolano a enveredar para o aprofundamento da democracia inclusiva, inclusive questionaram o facto de os americanos usarem dois pesos e duas medidas em certos países.”

O político prosseguiu dizendo que “ esse entendimento é próprio para um povo como o angolano que está cansado e que muitas das vezes sabe que nem sempre os resultados eleitores não reflectem a vontade do povo”.

Já Francisco Viena, secretário provincial do Bloco Democrático apelou aos americanos a repensarem Angola sobretudo neste fase eleitoral.

“ Angola precisa do apoio dos americanos. Nós angolanos gostaríamos que os americanos ajudassem Angola neste momento que estamos em paz, a democratizar o nosso país, tornar o processo democrático angolano serio. Nós não gostaríamos que presidente americano ajudasse Angola numa altura de convulsões sociais e talvez ate la os apoios serão mais caros.”

Todos os intervenientes apontaram a corrupção como a principal causa do retrocesso do processo democrático e dos abusos em Angola.


 
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