Candidatos a carta de condução trocam de categoria no dia do exame
02-08-2012 | Fonte: OPAÍS
Apesar de frequentarem o curso de condução na categoria de Ligeiro Profissional, no dia do exame muitos alunos preferem ser submetidos a exame na condição de Ligeiro amador, para não terem de enfrentar o teste de mecânica, soube O PAÍS junto de Instrutores de algumas escolas de condução, em Luanda. “Já houve muitos alunos inscritos na classe de Ligeiro profissional que encaminhamos ao exame nestas condições para a Direcção Nacional de Viação e Trânsito (DNVT), mas vendo que conseguiram passar no teste de código da estrada e regras gerais de trânsito e receando que não terão a mesma sorte na Mecânica, então pedem para serem avaliados apenas como amadores”, revelou Eusébio Correia Ukwahamba, instrutor da escola de condução Abenigma, situada no distrito da Ingombota, município de Luanda.
Neste e noutros centros de instrução, o candidato pode inscrever-se em três classes, nomeadamente Ligeiro amador, Ligeiro e Pesado profissional, para além de ter a possibilidade de frequentar um curso que o autorize a conduzir ciclomotores ou motociclos.
Os concorrentes a uma carta de condução de ligeiro amador habilitam-se a conduzir veículos ligeiros, independentemente de serem de passageiros, carga ou mistos, desde que não o façam na condição de motorista de uma instituição, uma condição que só é permitida aos seus congéneres do Ligeiro profissional. Apesar de haver uma recomendação etária pautada em maiores de 18 anos, para se poder inscrever numa escola de condução, importa referir que os indivíduos que não tiverem mais de 20 anos não se podem instruir nas categorias profissionais.
Mas qualquer um com mais de 20 cuja pretensão seja preparar-se para uma carta de Ligeiro amador é livre de o fazer. Para esta classe, aos formandos não são ministradas aulas de mecânica, ganhando também o direito de não serem avaliados neste contexto.
De acordo com o instrutor Eusébio, muitos dos formandos por si acompanhados durante o período de aulas tiveram um aproveitamento considerável na referida disciplina, mas no momento da decisão final eles conceberam a mecânica como uma obstrução para a sua progressão.
Ele lamentou ainda o facto de esses instruendos ouvirem muitos episódios de pessoas com fracassos em testes de género, concebendo as suas experiências como um modelo de percurso inevitável.
Questionado se, em função desses registos, os formadores da sua instituição não criaram um programa que vele pelo lado psicológico dos candidatos a exame, Eusébio Ukwahamba disse que, durante as suas sessões, os formadores da escola Abeninga fazem simulações de provas, onde repetem até questões já dadas aos examinandos anteriores.
“Este plano é mesmo para ensaiar e preparar os instruendos na concentração e determinação”, assegurou, lamentando o facto de muitas vezes serem surpreendidos com as posturas já referenciadas.
Quando os candidatos realizam o teste, tomando opção contrárias a da primeira hora, eles têm a obrigação de constituir outro processo, a fim de se dar por justificada a sua nova categoria.
O tabu da mecânica tem dificultado e a consequente fuga por parte de muitos tem-se repercutido nas aulas de condução, onde o instrutor Eusébio nota com muita regularidade dificuldade no capítulo da engrenagem das mudanças.
Eusébio Ukwahamba nota essas anomalias com muita facilidade, porque durante as aulas de condução orienta os seus instruendos a passarem por ruas com subidas e descidas, a fim de lhes testar as habilidades nessas circunstâncias.
“Dou conta que os alunos amadores têm tendência de engrenar as mudanças ao mesmo tempo que pisam a fundo o pedal da embraiagem”, referiu, atribuindo a falha à falta de noção do funcionamento desses componentes do motor.
O Instrutor retractou ainda a problemática do preconceito pela mecânica por parte dos instruendos, alegando a diferença que existe entre as aulas de preparação e o momento da avaliação.
“As nossas aulas de mecânica são feitas de forma técnica, isto é, definindo as peças e as suas funções através da indicação e observação das mesmas”, explicou o monitor, tendo adiantado que na Direcção Nacional de Viação e Trânsito as perguntas são feitas de forma teórica. Outra causa que ouviu repetidas vezes os seus alunos contarem para justificar suas fraquezas foi a arrogância por parte dos examinadores, um indicativo que o professor considera como influência negativa na disposição anímica do examinando.
“A maneira como são feitas as perguntas influencia muito na determinação do aluno”, sentenciou, admitindo que, em tempos idos, essa tendência dos especialistas da DNVT já foi maior. Falando nas vestes de diretor-adjunto de uma escola que existe há mais de 11 anos, Eusébio Ukwahamba disse que a sua instituição segue um padrão de normas recomendadas pelo órgão reitor, o qual se baseia em não apertar muito os candidatos na mecânica, mas, sim, atribuir-lhes noções sobre a área.
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