Estabilidade da moeda de Angola impulsionada por duplicação de reservas externas
06-08-2012 | Fonte: Macauhub
As reservas angolanas atingiram em Maio o máximo dos últimos dois anos – 33 mil milhões de dólares – impulsionadas pelo aumento da produção petrolífera e valor elevado dos preços do petróleo nos mercados internacionais – dando “mais apoio ao kwanza”, afirma a EIU no seu mais recente relatório sobre Angola.
Depois de uma quebra das reservas externas em 2009 motivada pela descida do preço do petróleo, que levou o Banco Nacional de Angola a permitir a depreciação do kwanza, a moeda angolana “recuperou a estabilidade”.
“Com reservas agora equivalentes a mais de sete meses de importações de 2012 e continuação de grandes excedentes da conta corrente em perspectiva, o banco central tem muito poder de fogo no seu arsenal para defender a moeda”, adiantam os analistas da EIU.
A previsão da EIU é que o BNA continue a seguir o dólar, dada a importância da indexação “de facto” como “âncora monetária na tentativa de reduzir a inflação”.
Assim, defende, o kwanza deverá “manter-se geralmente estável em relação ao dólar nos próximos dois anos”, embora existam riscos relativamente a esta previsão.
Angola, adianta, continua a estar “vulnerável a eventos externos”, em particular a uma recessão na Zona Euro ou nos Estados Unidos, arrastando a procura e preços do petróleo, que pode “rapidamente mudar” a actual situação.
A inflação abrandou de forma ligeira em Maio, para 10,5% homólogos, segundo o banco central, que manteve na sua última reunião a taxa básica de juro inalterada em 10,25%.
A EIU prevê que o PIB angolano cresça 8,0% este ano, uma forte aceleração em relação aos 3,4% do ano passado, com as exportações a crescerem perto de 10,3%, o investimento 8,0% e o consumo público 7,5%.
Os dados mais recentes apontam para um máximo de dois anos na produção petrolífera angolana, que atingiu em Maio 1,81 milhões de barris, impulsionada pelo início da produção dos campos periféricos do poço Kizomba D, a par de bons desempenhos noutras operações e número reduzido de problemas técnicos.
Com a produção petrolífera em trajectória ascendente e previsões de preços elevados para o petróleo, atingindo 2,18 milhões de barris diários em 2016, o crescimento do PIB deverá manter-se sempre acima de 5,5% nos próximos 4 anos.
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