Comboio do CFM retoma circulação
19-08-2012 | Fonte: JA
Vários anos depois, o comboio do Caminho-de-Ferro de Moçâmedes (CFM) arranca oficialmente na próxima terça-feira, facto que dá alento às populações da região sul e coloca as províncias do Namibe, Huíla e Kuando-Kubango na rota do desenvolvimento.

De acordo com o plano estratégico da companhia, 15 comboios diários vão circular com uma velocidade máxima de 100 quilómetros por hora, assegurando o transporte de passageiros e mercadoria nas três províncias.

O presidente do Conselho de Administração do CFM, Daniel Quipaxe, garante que a retomada da circulação do comboio vai ter um forte impacto em toda actividade comercial da região sul de Angola. “A circulação do comboio vai permitir maior escoamento da produção agrícola e a movimentação das populações”, disse.

Para o gestor do CFM, com os novos serviços ferroviários na região sul os custos de transporte de mercadorias ficam mais acessíveis tornando as empresas mais competitivas. O comboio do CFM vai ainda facilitar as actividades dos pequenos e médios empresários e permitir maior dinamismo na economia da região, garantindo o crescimento dos negócios.

A província do Kuando-Kubango vai ser das mais beneficiadas, porque com o comboio a funcionar em pleno pode diminuir substancialmente o seu isolamento geográfico.

Outro desafio, após a conclusão das obras de reabilitação e modernização do CFM, é a construção de um novo ramal para interligar a via ferroviária à República da Namíbia.

Daniel Quipaxe afirma existir um grande interesse das autoridades em construir um novo ramal para chegar à Namíbia para facilitar a importação e exportação de mercadorias e o transporte de passageiros de ambos os países.

A linha férrea do CFM, depois do CFB é a segunda maior do país. Começa na província do Namibe, escala as cidades do Lubango, Matala, Jamba Mineira e Cuvango (Huíla) e termina em Menongue (Kuando-Kubango), perfazendo 987 quilómetros.

No programa de recuperação das infra-estruturas que está a ser desenvolvido pelo Executivo, os caminhos-de-ferro constituem prioridade e foram dos maiores destinatários do investimento em alinhamento com o novo paradigma do sector ferroviário em Angola.
O Executivo investiu, entre 2002 e 2011, 42 mil milhões de dólares no programa de recuperação e modernização de infra-estruturas sobretudo económicas.

Segundo Daniel Quipaxe, o Caminho-de-Ferro de Moçâmedes prevê transportar anualmente três milhões de passageiros e 10,8 milhões de toneladas de mercadorias, com destaque para o minério de ferro proveniente da Jamba Mineira, na província da Huíla.

Numa primeira fase, serão transportadas 10 milhões de toneladas de ferro por ano. De acordo com as previsões, essa operação vai absorver dois terços da carteira de negócios do CFM, sobretudo quando em 2013 começar a produção de ferro, manganês e ouro na localidade de Cassinga. Estima-se um tráfego de mercadoria diversa na ordem das 887 mil toneladas ano, com perspectivas do tráfego de passageiros e mercadorias aumentar substancialmente no segundo ano de operações.

O transporte de ferro de Cassinga para o porto do Namibe, é apontado como uma das operações que vai dar rápida capacidade de amortização dos investimentos da segunda maior linha férrea do país.

Para a efectivação desta operação, a direcção do CFM estabeleceu um acordo com a empresa de exploração de ferro AMR.


 
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