Militares da UNITA contra direcção de Isaías Samakuva
24-08-2012 | Fonte:
Cerca de duas dezenas de militares da UNITA manifestaram-se ontem na sede do secretariado-geral do partido, em Luanda, para exigirem os seus direitos como desmobilizados de guerra.

Liderados pelo brigadeiro Ronaldo André e pela tenente Carlota Tekassala, os manifestantes exigiram também que se mostre o local em que foi sepultado o general António Dembo, antigo vice-presidente da UNITA.

Os manifestantes serviram durante muitos anos a organização fundada por Jonas Savimbi, mas dizem que não foram inscritos nas listas das pessoas que foram desmobilizadas. E atiram todas as culpas contra a actual direcção do partido, liderado por Isaías Samakuva.

“A UNITA é culpada disto tudo porque o documento que refere que somos desmobilizados deve ser emitido pelo partido, mas até agora Samakuva não resolve o nosso problema”, afirmou aos jornalistas presentes no local o brigadeiro Ronaldo, 58 anos, 30 dos quais dedicados ao partido.

Ronaldo André, cujos lábios estavam ensanguentados, por ter sido agredido fisicamente por alguns elementos do secretariado geral da UNITA, em São Paulo, onde entrou a fim de apresentar a sua reclamação, revelou que devem estar por desmobilizar nove mil militares do partido.

Carlota Tekassala, 53 anos, dos quais 25 como militante na clandestinidade, disse ter combatido ao lado de Jonas Savimbi e do general António Dembo. Disse não entender como que é que, até agora, ela e os outros companheiros não conseguem obter o documento que lhes confere o título de desmobilizados de guerra para com ele receberem os subsídios a que têm direito.

“Há muito que reclamamos mas a direcção da UNITA diz-nos sempre para aguardarmos. Queremos apenas a nossa desmobilzação. Saímos das matas em 2002 e até hoje só recebemos mentiras”, lamentou Carlota Tekassala, que disse ainda ter feito parte do grupo que acompanhou Jonas Savimbi na sua retirada do Andulo.

A antiga tenente da UNITA, que também chegou a comercializar os diamantes para o financiamento da organização, apontou motivos tribais como estando na base da não solução, até agora, do seu problema: “não estão interessados na nossa desmobilização porque somos oriundos do norte”, afirmou.

Reacção da UNITA

Em reacção ao sucedido, o secretário nacional para a Organização da UNITA, Diamantino Mussokola, negou que Ronaldo André e Carlota Tekassala tenham sido militares do partido, admitindo que a formação política liderada por Isaías Samakuva ainda tem muitos elementos por desmobilizar.

Em declaração à imprensa, Diamantino Mussokola disse que por trás desta manifestação há outros propósitos e não aqueles apresentados pelos manifestantes.

Contou que num breve encontro com o pessoal do secretariado-geral, Ronaldo André chegou a confessar que nunca foi militante da UNITA, mas que “veio em nome de ex-militares do partido que reivindicam os seus direitos”.

O responsável pela organização do maior partido da oposição afirmou que, mesmo que assim fosse, os reivindicadores tinham de solicitar uma audiência. Sublinhou que a questão da desmobilização nada tem a ver com a UNITA, mas sim com o Governo.

“No quadro dos acordos firmados, a desmobilização é da responsabilidade do Governo, através das Forças Armadas Angolanas”, disse Mussokola.

Relativamente à reclamação referente aos restos mortais do general Dembo, Diamantino Mussokola informou que a família está envolvida no caso e está a tratar da exumação. Disse que o grupo da família é chefiado por Simão Dembo, filho do falecido.
 
Comentários
Quer Comentar?
Nome E-mail ou Localização
Comentário
Aceito as Regras de Participação