Angola tornou-se um mercado tão importante para a Odebrecht que, em 2007, a empresa realizou no país africano a primeira reunião de seu conselho de administração fora do Brasil.
E mesmo após expandir sua atuação para outros países africanos e criar uma divisão para os negócios na África, Emirados Árabes e Portugal, a empresa manteve Angola na mesma subsidiária responsável pelas operações na América Latina (a Odebrecht América Latina e Angola), seu principal mercado.
Alguns dias após ter sido comunicada pela BBC sobre esta série de reportagens, porém, a Odebrecht retirou as menções a Angola da seção de seu site que trata da subsidiária – que, assim, passou a ser integrada somente por países latino-americanos.
A empresa diz que Angola passará a integrar a subsidiária para África, mudança que, segundo a Odebrecht, já estava programada.
Nos anos 2000, também financiadas pelo governo, outras empreiteiras brasileiras, entre as quais Camargo Corrêa, Queiroz Galvão e Andrade Gutierrez, ingressaram no mercado angolano. A Odebrecht, no entanto, continuou a receber a maior parte dos empréstimos.
Ataques
O início das operações da Odebrecht em Angola teve contornos dramáticos, quando em 1984 participou da construção da hidrelétrica de Capanda, a 450 km de Luanda.
Em estudo que amparou sua dissertação de mestrado, o psicólogo angolano João Manuel Saveia, formado pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), descreveu a construção de Capanda.
Ele conta que, em 1992, um ataque da Unita próximo ao canteiro de obras da hidrelétrica provocou a evacuação dos operários para Luanda.
Na altura, a Odebrecht suspendeu os trabalhos na usina até que o governo retomasse o controle da região, em 1994.
Em texto publicado no livro que a Odebrecht lançou ao completar 25 anos em Angola, em 2009, o presidente angolano enalteceu a participação da empresa na construção de Capanda e agradeceu o Brasil por tê-la financiado.
"É certo que muito ainda há por fazer e que a barragem de Capanda (...) já começa a ser insuficiente para suprir as necessidades energéticas do país", disse.
"Temos, por essa razão, de continuar a contar em primeiro lugar com as nossas forças e com o apoio de nossos amigos mais seguros na edificação de uma economia sólida e sustentável."
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