Caso ‘BurlAngola’: clientes não desarmam
16-11-2012 | Fonte: O País
Os clientes do projecto Build Angola, burlados por um grupo de cidadãos brasileiros, prometem sair à rua em manifestação de protesto, diante da representação diplomática do Brasil, ao descaso com que está a ser encarado o seu problema.

A continuar o que consideram inacção de quem investido de poder, os clientes, organizados numa comissão para tratar do assunto, entendem que este será o único caminho a seguir para exercer uma pressão maior sobre quem detém alguma responsabilidade sobre o estado de coisas actual.

A intervenção da Procuradoria-Geral da República no caso, com a audição de pouco mais de cem pessoas, deu um certo alento aos antigos clientes da Build Angola que, entretanto, aos poucos se vai desvanecendo, segundo fontes de O PAÍS.

“Nós pensamos que o método que está a ser seguido pela procuradoria de ouvir uma a uma as mais de quinhentas pessoas burladas, pode levar a que o caso caia no esquecimento”, lamentou a fonte deste jornal.

Notam que até ao momento a PGR não chamou os representantes locais dos sócios brasileiros, no caso a empresa nacional que estabeleceu parcerias com o grupo de cidadãos brasileiros, para prestar declarações sobre o assunto e, eventualmente, tomar alguma medida forte. Este desgosto é ainda maior porque entidades como a Assembleia Nacional e partidos políticos a quem dizem ter endereçado cartas a dar conta do caso, não se dignaram em responder a esta preocupação em relação à qual os burlados consideram necessária a intervenção do Estado angolano. “Estamos tristes porque escrevemos para o parlamento e partidos políticos, mas não responderam sequer a acusação da carta”, lamentou.

Na interpretação dos visados pelos actos de burla, o assunto deve engajar as autoridades, porque o projecto foi corroborado por entidades do Estado angolano, estas concederam facilidades para a aquisição dos espaços, licenças de construção e direitos de superfície. Por isso, defende a fonte, “o Estado deve intervir ou imputar responsabilidades ao Governo brasileiro, ou ainda levar o caso à Assembleia Nacional, porque esta não pode abandonar os seus cidadãos que foram burlados”.

Novos empreendedores entram em cena

Não refeitos ainda da amarga experiência com a Build Angola, à cabeça do negócio estão agora novos autointitulados empreendedores do muito dinâmico ramo  imobiliário.

“Recebi um email de indivíduos que estão a vender lotes de terrenos e prometem erguer as casas em cinco meses”, disse a fonte, precisando que isto está a ser levado a cabo por um cidadão nacional identificado por Tuca Fernandes. “Este senhor Tuca é um dos vendedores de outros projectos”, adverte.

A situação de imobilidade em que o caso se encontra parece ter aguçado algumas inteligências que se puseram em campo para uma vez mais obter dividendos pecuniários.

A este respeito a fonte cita ainda um outro cidadão nacional, Amões, como estando na corrida contra o tempo para ter alguma contrapartida.

Explicando, a fonte esclarece que “Amões também está a passar direitos de superfície a pessoas interessadas, mas ele também foi burlado e não pôde reaver nada, porque o Tribunal é que deve decidir, pois há outros clientes que também pagaram as casas mas só têm o espaço”.

Esta diligência da parte do cidadão Amões pode ser entendida pelo facto de não ter obtido ganhos com o contrato celebrado com a Build Angola que, segundo a fonte, consistia na cedência do espaço a esta imobiliária, recebendo em contrapartida algumas residências.

 
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