Aguinaldo Jaime não faz falta
05-02-2005 | Fonte: Semanário Angolense
Se dependesse do primeiro-ministro, Fernando da Piedade Dias dos Santos «Nandó», o seu ministro-adjunto, Aguinaldo Jaime, já estaria fora do Governo. Em boa verdade se fosse ele a decidir, Aguinaldo Jaime não teria sequer tomado posse como ministro-adjunto do primeiro-ministro.

Desde que assumiu o cargo, «Nandó» não só não tem escondido o desdém que tem pela chefia da equipa económica, como também já deu mostras que passa bem sem Aguinaldo Jaime.

Na primeira visita que fez ao, Banco Nacional de Angola, «Nando» instruiu o seu staff no sentido de comunicar ao ministro-adjunto do primeiro-ministro que ele ali não era chamado. Aguinaldo Jaime, embaraçado quanto baste, bateu em retirada. Fê-lo à vista de meio Governo e de funcionários do banco, que um mês antes eram seus subordinados. O mesmo sucedeu quando visitou o Ministério das Finanças.

O Semanário Angolense desconhece se os dois tiveram alguma vez um passado de guerra, mas a verdade é que depois deste incidente, as suas relações nunca mais conheceram a paz. O primeiro-ministro vive também em clima de suspeição com o ministro das Obras Públicas, Higino Carneiro, com quem, de resto, já travou várias batalhas mas não é nada que se compare com o estado de guerra permanente que vai entre ele e Aguinaldo Jaime. Em boa verdade ninguém consegue explicar o que anima este conflito. Ninguém sabe quem se incomoda com o quê. Se é o primeiro dos ministros que não dorme porque Aguinaldo Jaime tem o gabinete no palácio presidencial, logo está mais próximo do Presidente da República, se é Aguinaldo Jaime que tem alguma carta na manga.

Qualquer que seja a razão, «a guerra aumentou de intensidade». O Semanário Angolense soube de fonte segura que o primeiro-ministro escreveu recentemente ao Presidente da República solicitando a extinção do cargo de ministro-adjunto do primeiro-ministro. «Nandó» disse na carta que já não se justificavam as razões que levaram o Presidente a nomear Aguinaldo Jaime para este cargo. Mas tal como o Presidente fez quando designou Aguinaldo Jaime, «Nandó» também não disse na sua carta que razões seriam. A carta repousa na mesa do Presidente.

A resposta está, por enquanto, na cabeça de José Eduardo dos Santos. «Teria sido mais apropriado que Nandó sugerisse a extinção do seu próprio cargo. Se nem sequer consegue disciplinar os seus próprios filhos, frequentemente envolvidos em arruaças públicas, como é que pretende ser respeitado como primeiro-ministro?», interrogou-se um observador que também teve acesso à informação que dá conta do desejo de Nandó de ver Aguinaldo Jaime pelas costas.
 
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