Crescimento angolano em "estado estacionário" até 2017
13-06-2013 | Fonte: Lusa
A economia angolana pode estar a aproximar-se do "estado estacionário", se a taxa de crescimento do PIB, entre 2013-2017, se mantiver entre os 5,5% e os 7%, conforme previsões do Fundo Monetário Internacional e do Governo, respetivamente.

  Esta é uma das conclusões do Relatório Económico de Angola 2012, realizado pelo Centro de Estudos e Investigação Científica (CEIC) da Universidade Católica de Angola,  apresentado em Luanda.

Na apresentação do estudo, o coordenador do CEIC, o economista angolano Alves da Rocha, disse que no estudo foram feitas algumas comparações entre a taxa de crescimento do PIB, a taxa de crescimento da população e taxa de amortização do capital fixo da economia, tendo-se chegado à conclusão que à falta de outros estímulos à economia nacional, o "estado estacionário de Solow" pode estar a aproximar-se da economia de Angola.

"Não quer dizer que a economia fique neutralizada, que deixe de crescer, trata-se apenas de saber quais são as folgas que a economia tem para gerar crescimento e nomeadamente melhorar as condições de vida da população", frisou Alves da Rocha.

Uma das preocupações do relatório tem a ver com a capacidade de crescimento da economia nacional, que, a partir de 2002, período do fim da guerra em Angola, colocou o país nas estatísticas internacionais como a que mais tinha crescido no mundo.

Segundo Alves da Rocha, este ciclo de crescimento acentuado, na ordem dos 13%, terminou em 2008, com uma redução significativa das taxas médias anuais, para um dígito.

"A nossa questão nesse relatório foi se de facto continuam a existir condições para que a economia angolana apresente estes índices elevadíssimos de crescimento económico", questionou o responsável.

"As nossas reflexões apontam no sentido de que será difícil manter-se uma capacidade de crescimento do passado", considerou Alves da Rocha.

A conclusão de que será difícil manter-se a mesma capacidade de crescimento de anos anteriores é sustentada ainda com o prevalecimento de "determinados constrangimentos" que continuam a limitar o investimento em Angola, podendo igualmente limitar "toda a manobra do crescimento económico".

"Se olharmos para relatórios internacionais, Angola continua a ocupar em termos de negócios e em termos da organização institucional do Estado lugares que podem fazer perigar o interesse do investimento privado em Angola", ajuizou o coordenador do CEIC.

Alves da Rocha enumerou como pontos em que Angola tem de melhorar a sua posição o 'doing business', a transparência económica, os índices de competitividade, áreas em que o país tem ocupado lugares "muito baixos", evidenciando que há problemas a este nível.

"Continuam a existir problemas a despeito dos avanços que foram feitos no registo de empresas, na criação de negócios. Nos vários itens do 0doing business' há um ou dois em que Angola registou de facto melhorias significativas, mas nos outros não. Nalguns dos outros indicadores do "doing business", Angola até piorou a sua posição e tudo isso pode configurar uma retração no investimento, no futuro", frisou.
 
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