Fascículos são alternativa boa e barata aos livros
23-08-2013 | Fonte: JA
As ruas de Luanda são verdadeiras livrarias. Há centenas de jovens a vender na rua livros técnicos e romances. Quem está na venda de bens culturais tem igualmente uma secção de discos e DVD piratas.


Mas o negócio que está na moda é a venda de fascículos. Quem tem pouco dinheiro e quer aprender ou divertir-se com literatura, compra as obras em folhas soltas.

O negócio da venda dos fascículos está em todos os lados principalmente nas praças e perto das escolas. O “material” é retirado da Internet. Os vendedores de fascículos só sabem mesmo vender, por isso desconhecem se estão a respeitar a obra original ou se a mercadoria é do mesmo livro. Os clientes correm o risco de comprar fascículos de uma obra de Química e no meio encontrarem um poema ou pormenores da biografia de Jonas Savimbi. Muito cuidado com os fascículos.

A maioria dos fascículos tem conteúdos aliciantes: anedotas e adivinhas, boas maneiras, culinária diversa, cultura geral, História da I Guerra Mundial, Biografia de Nelson Mandela, tudo sobre o amor e o divórcio. Alguns servem aos estudantes pois tratam da língua portuguesa, matemática, inglês sem mestre, francês, gravidez, puberdade, sexo e a sua parceira de estimação: a traição.

O vendedor Miguel Simão contou á reportagem do Jornal de Angola que começou a vender fascículos por intermédio de uma amiga. “O trabalho é feito em casa e em alguns cybers depende da possibilidade de cada um.

Os meus fascículos são feitos por um senhor que tem o curso de informática e os temas são sugeridos por mim para enriquecer o meu trabalho. Outros temas são a pedido dos clientes. As pessoas procuram muito por estes trabalhos porque não têm possibilidades de comprar livros, os clientes são na sua maioria jovens e estudantes”, disse o livreiro a retalho.


Negócio de 30 kwanzas


Miguel Simão foi directamente ao assunto dos custos ao consumidor: “os fascículos custam a partir de 30 Kwanzas conforme o tamanho ou a quantidade de folhas. Compro a 30 e revendo a 100 Kwanzas. Quando há erros, os clientes reclamam e rectificamos mas há poucos erros ortográficos e informativos.”

O vendedor trabalha no ramo há dois anos e tem técnicas de marketing apuradas: “alguns colegas vendem fascículos a preto e branco, eu vendo tudo colorido porque dá melhor imagem e chama mais à atenção do leitor”.


Amor e tabuada


João Augusto Malanga mudou para os fascículos porque “a venda de jornais não dá lucro. Compro os fascículos no bairro Golfe e na praça do Kikolo, município de Cacuaco, e em casa copio. Os meus clientes são maioritariamente estudantes”.

Os fascículos mais procurados são os que falam de amor, versos, material de língua portuguesa, história, culinária e tabuada.

Quando têm erros troco”. Os clientes não compram se tiverem erros s e há aqueles muito exigentes que voltam para trocar. Por dia consigo vender 20 ou mais fascículos”. O músico Garcia João é avô e por não ter dinheiro para comprar livros para as netas de quem cuida compra fascículos na rua. “Vou comprar um fascículo de História a 100 Kwanzas e chegando a casa leio para as minhas netas. É a forma que eu encontrei de as educar com pouco dinheiro. Alguns fascículos contêm erros. Quando os encontro reclamo junto do moço a quem compro. E corrijo de imediato as minhas netas”.

Conceição António comprou pela primeira vez um fascículo. O tema é a vida de Nelson Mandela.

Fez o investimento porque a sua filha de 12 anos tinha de fazer uma tarefa de História na escola. Depois de ler alguns parágrafos concluiu que “o material é seguro e rico para a filha fazer o trabalho de História”.

 
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