Governo geriu mal polémica sobre banimento do Islão
29-11-2013 | Fonte: RTP
O Governo angolano está a gerir mal a polémica relacionada com a prática do Islão no país, a qual afirma não estar banida, disse um analista britânico à agência Lusa.

"O Islão não está banido, é um problema de registo junto do Ministério da Justiça", afirmou Alex Vines, diretor do departamento de África do Instituto Real de Relações Internacionais (Chatham House) à agência Lusa, a propósito do indeferimento no final de outubro do registo de 194 organizações religiosas, incluindo a comunidade muçulmana.

Em Angola, a lei determina que o exercício de uma religião tem de ser aprovada pelo Governo, o qual, diz Vines, está mais empenhado em controlar o número de igrejas evangélicas brasileiras que se multiplicou nos últimos anos e retirou fiéis à Igreja católica.

"É uma mistura de burocracia angolana com o desejo de controlar e preconceito", resumiu a propósito da polémica, que hoje também chegou às páginas do diário britânico The Guardian e motivou a convocação de uma manifestação de muçulmanos para hoje junto à embaixada de Angola em Londres.

A missão diplomática emitiu na quarta-feira uma nota do Ministério das Relações Exteriores em que se esclarece que "o Governo angolano não baniu a atividade do Islão em Angola ou a destruição de quaisquer mesquitas simplesmente porque pertencem a uma fé, mas por não terem licença de construção".

Alex Vines afirmou à Lusa que continuam a existir mesquitas abertas na região de Luanda e que os fiéis praticantes arriscam a prisão se as frequentarem, mas que podem continuar a fazer as suas orações em privado, em casa.

A ambiguidade de algumas posições oficiais e a má gestão do assunto fez com que a notícia de que Angola baniu o Islão se tenha espalhado pelo mundo, provocando reações em países como Argélia, Marrocos ou Egito, vincou Vines.

"Se a situação continuar, Angola fica vulnerável ao radicalismo muçulmano", advertiu.
 
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