Cimeira: Oito Chefes de Estados comfirmam presença
15-01-2014 | Fonte: Jornal de Angola
A cimeira dos Grandes Lagos, que se realiza hoje em Luanda, tem a presença confirmada de oito Chefes de Estado e de Governo da região, além de representantes da União Africana, da União Europeia e das Nações Unidas.

O ministro das Relações Exteriores de Angola referiu ontem que a República Centro Africana está ausente na Cimeira por que o seu Presidente trabalha “na criação de um novo governo e na estabilização do país para permitir a assistência humanitária à população”.

Georges Chikoti confirmou a participação dos Chefes de Estado do Quénia, Uganda, Ruanda, Congo, Tanzânia e República Democrática do Congo, bem como de alguns Vice-Presidentes e ministros dos negócios estrangeiros.

O ministro também confirmou a presença, como convidado, do Presidente sul-africano, Jacob Zuma.

Georges Chikoti, que disse que a República Democrática registou melhorias, apesar da existência de algumas “forças negativas”, manifestou a solidariedade de Angola a todos os povos da sub-região que passam por dificuldades de vária ordem resultante de conflitos armados.

O ministro angolano dos Negócios Estrangeiros tomou ontem posse como presidente do Comité Regional Interministerial da Conferência Internacional dos Grandes Lagos em substituição do homólogo do Uganda.

Experiência de Angola

No discurso, após a posse, lembrou que Angola viveu, num passado recente, uma guerra que ceifou milhares de vidas, destruiu quase todas as, infra-estruturas e inviabilizou o seu desenvolvimento.
“Concluímos que a guerra só nos dividiu, destruiu o país e atrasou o progresso”, disse e acrescentou:

“Foi assim que o Presidente José Eduardo dos Santos lançou um apelo para a busca da paz com base no diálogo, o que permitiu o fim da guerra, inserção na sociedade de todas as pessoas desavindas e a reconstrução das infra-estruturas destruídas”.

Fruto disso, referiu, Angola regista um nível de alto de crescimento económico e realiza um plano de desenvolvimento para até 2017 combater a fome e a pobreza. O programa, realçou, tem o objectivo desenvolver as zonas rurais, aumentar os níveis de assistência médica e medicamentosa e edificar escolas em todos os municípios.

“A guerra não é boa, por isso não se deve recomendar a ninguém, sejam quais forem as motivações”, disse e lembrou que a reunião se realiza numa altura em que se registam conflitos na República Centro Africana, República Democrática do Congo e no Sudão do Sul.

Estes acontecimentos, declarou, revelam desafios que a organização ainda tem de enfrentar para cumprir os seus objectivos, que são o estabelecimento da paz e a promoção do desenvolvimento da sub-região.

“Os países da região são ricos e o fim do sofrimento só é possível quando todos compreenderem que as lutas entre irmãos, filhos da mesma pátria, na maior parte das vezes instigadas a partir do exterior, não nos trazem benefícios”, disse.

As lutas, acentuou, somente trazem divisões, mortes e destruição, retardam o desenvolvimento dos países e torna-os dependentes das grandes potências. O presidente do Comité Regional Interministerial referiu que Angola defende o diálogo e que não há soluções militares quaisquer que sejam as origens das desavenças internas nos países.

Para Angola, acentuou, é muito grave o ambiente de instabilidade que se verifica na Região dos Grandes Lagos, que requer uma profunda reflexão para delinear estratégias que conduzam à paz, estabilidade e segurança na região.

Angola, voltou a dizer, apoia os esforços da organização dos países da África Central para a paz na República Centro Africana e da Autoridade Intergovernamental para o Desenvolvimento (IGAD), que medeia o processo no Sudão do Sul.

Força de paz

O presidente cessante do Comité Interministerial da Conferência dos Grandes Lagos, o ministro dos Negócios Estrangeiros do Uganda afirmou que a criação de força de manutenção da paz na RCA requer apoio financeiro internacional e regional para poder desempenhar o papel que lhe está destinado.

“Esperamos que a comunidade internacional responda aos apelos de paz a República Centro Africana”, disse.Sam Kutesa avisou que não se deve deixar a situação deteriorar-se, mas juntar acções para apoiar a RCA na criação de um governo legítimo e na aplicação de um cronograma para restituição da ordem constitucional.

O Comité Regional Interministerial da conferência elaborou, na reunião de ontem, recomendações a serem apresentadas à cimeira dos Chefes de Estado e de Governo, entre as quais a relacionada com o aumento das contribuições dos países-membros.

Estabilidade comprometida

O secretário executivo da Conferência Internacional da Região dos Grandes Lagos, Ntumba Alphonse, disse que a paz e a segurança na região estão mais uma vez comprometidas, o que requer mais esforço da organização e o relançamento da Troika constituída por Angola, África do Sul e República Democrática do Congo.

Ao intervir na reunião dos ministros, Ntumba Alphonse falou da importância da organização prevenir e gerir conflitos na Região dos Grandes Lagos e consolidar mecanismos de segurança com a criação de um Centro de Fusão Conjunta dos Serviços de Inteligência e o Mecanismo Conjunto de Verificação Alargada. O secretário disse que a organização deve promover projectos de integração entre os povos das várias nações.

Não podemos ter paz nesta região, advertiu, sem acordos idênticos aos de Kampala, Dar-es-Salam, Kigali e agora de Luanda.

Ntumba Alphonse elogiou o empenho de Angola na organização por ter todas as condições para realização da cimeira dos Chefes de Estado e de Governo. Angola, sublinhou, tem-nos dado um bom exemplo ao tirar proveito da paz e da reconciliação nacional.

Repúdio à violência

O representante especial da União Africana para a Região dos Grandes Lagos repudiou a situação de violência na República Centro Africana e disse ter receio quanto aos contornos étnicos e religiosos que começa a ter.

Boubacar Diarra felicitou os esforços de paz desenvolvidos na República Democrática do Congo e pediu às demais nações do continente que apoiem a causa de pacificação naquele país para evitar que a questão humanitária atinja “níveis catastróficos”.

A representante especial da Organização das Nações Unidas para a Região dos Grandes Lagos disse estar convicta que a presidência angolana vai trazer progressos significativos no reforço da paz e da estabilidade na região dos Grandes Lagos. “Felicito o governo angolano por ter recebido a liderança da organização numa fase difícil da região”, declarou a representante da ONU.

Mary Robson reafirmou o compromisso de trabalhar com a Conferência Internacional da Região dos Grandes Lagos para criar as condições necessárias para o estabelecimento da paz duradoura, da cooperação e melhoria da vida dos habitantes da região.

“Os Estados devem tomar medidas para a aplicação oportuna e sustentável do diálogo de Kampala, o que passa pela reintegração, amnistia dos militares do M23 e sua desmobilização”, sugeriu. Estes aspectos, concluiu, são fundamentais para solução de paz na RDC.

 
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