Angola em 2º lugar na mortalidade infantil
20-02-2014 | Fonte: Sol
Dados divulgados no último relatório da UNICEF, referentes a 2012, apontam Angola como o segundo país com maior taxa de mortalidade infantil. As doenças tropicais, com destaque para a malária, constituem as principais causas da morte de crianças no país.

A seguir à Serra Leoa, Angola ocupa o segundo posto na lista de países, a nível mundial, com a maior taxa de mortalidade infantil no ano de 2012. Os dados são do mais recente relatório da UNICEF, 'A Situação Mundial da Infância em Números 2014', lançado no âmbito do 25.º aniversário da adopção da Convenção sobre os Direitos da Criança.

O mesmo documento refere que em 2012 cerca de 6,6 milhões de crianças com menos de cinco anos morreram, a maior parte de causas evitáveis. As estatísticas, que apresentam os pontos críticos de menores em situação de risco no mundo, revelam que, em 2012, ao nível da região oriental e meridional do continente africano, em cada 1.000 bebés nascidos vivos, 77 morreram antes de completarem cinco anos. De acordo com o relatório, durante o período em análise, na mesma região, morreram cerca de 1.2 milhão de crianças menores de cinco anos.

Carlos Alberto Masseca, secretario de Estado da Saúde, aquando da abertura das últimas Jornadas Científicas sobre Doenças Tropicais e Grandes Endemias, referiu que as doenças tropicais constituem as principais causas de morte em Angola.

O responsável, na altura, avançou que os Estados têm encontrado dificuldades em controlar este tipo de doenças - e apontou que só combatendo o conjunto de doenças tropicais que afectam fundamentalmente crianças e mulheres, será possível reduzir a mortalidade materna e infantil no país.

Falta de cuidados básicos agrava a situação

Elizabeth Mason, directora do departamento de saúde da Organização Mundial da Saúde, em declarações à Voz da América, considerou que as altas taxas de mortalidade materno infantil podem ser reduzidas.

Para a responsável, os primeiros dias de vida da criança são os mais críticos para a sua sobrevivência, pelo que a sua saúde vai depender directamente dos cuidados que a mãe receber durante a gravidez - e, mais importante ainda, o tratamento que o bebé vai receber durante o parto e nas primeiras horas de vida.

A lista das doenças responsáveis pela elevada taxa da mortalidade infantil no mundo vai além da malária: destacam-se os partos prematuros e casos de asfixia durante o parto, diarreia e também a subnutrição, fez saber Elizabeth Mason.

A redução da mortalidade infantil afigura-se como um dos Oito Objectivos de Desenvolvimento do Milénio. Koen Varnomelingem, representante da UNICEF em Angola, em declarações ao Jornal de Angola, explicou que a sua organização tem vindo a desenvolver programas com vista a melhorar os resultados no campo da subnutrição - um mal que tem grande influência nas taxas de mortalidade infantil em Angola.

Por outro lado, para diminuir a incidência da malária, o Programa Nacional de Controle da Malária está a implementar um programa de distribuição de mosquiteiros ao nível do país.

A responsável do departamento de saúde da OMS, entretanto, considera necessários outros cuidados como a implementação de soluções que defende serem de baixo custo, como injecções aplicadas às mães antes do nascimento e os cuidados que têm que ver com a colocação dos bebés numa bolsa mas permanecendo em contacto com o peito da mãe, permitindo que a criança se mantenha aquecida e com acesso ao leite materno.
 
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