Porque é que o caso BESA é importante
08-06-2014 | Fonte: Econômico
O BESA - um banco de direito angolano que é controlado em 57% pelo BES - terá concedido cerca de 5,7 mil milhões de dólares de créditos, 80% do total da carteira, sem garantias e até sem a identificação dos beneficiários, uma espécie de ‘BPN à angolana' que é, em primeira análise, um problema judicial de Angola. Mas não só.


O buraco financeiro do BESA não afecta as contas do BES, até porque existe uma garantia do Estado angolano no valor de 5,7 mil milhões de dólares. Mas afecta a reputação da família Espírito Santo, num momento em que não é ainda claro como é que vai evoluir o processo de sucessão a Ricardo Salgado. Sabe-se que vai acontecer, pressente-se que será mais cedo do que tarde, mas com quem?

Álvaro Sobrinho, um homem com interesses em Portugal, nomeadamente na comunicação social - é dono do jornal Sol - é a principal figura desta história. Mas não é a única. Ricardo Abecassis, um dos putativos candidatos à sucessão, presidente do BESI no Brasil e membro da família, foi presidente do BESA e, por isso, será também chamado a pronunciar-se. E Ricardo Salgado, como presidente do BES, acaba também por sair mal na fotografia, desde logo porque escolheu há dez anos Sobrinho - em detrimento de Carlos Silva, homem-forte do Atlântico, accionista do BCP. Hoje, Sobrinho e Salgado estão de costas voltadas.


Por causa do aumento de capital de mil milhões de euros do BES, que já estava garantido por um sindicato bancário, diga-se, mas está a correr bem, foram conhecidos alguns dos esqueletos no armário da família Espírito Santo. Agora, estão a conhecer-se os detalhes dos casos, da ESI, primeiro, de Angola, depois. Quando mais depressa a reestruturação financeira e de governação do GES for concluída, melhor. Para o banco e para o País.

 
Comentários
Quer Comentar?
Nome E-mail ou Localização
Comentário
Aceito as Regras de Participação