Gravidez em África é um suicídio
07-04-2005 | Fonte: VOA (Josefa Lamberga)
A felicidade do fenómeno divino da reprodução, a gravidez, é em África e em Angola, em particular, comparável a um acto de suicído de tão frágil que são as estruturas e políticas sanitárias que provocam um elevado número de mortes materno-infantil, disse o director geral adjunto da OMS, Anarfi Asamoa Baah.

Em Angola, morreram de parto ou de complicações de gravidez no ano transacto mil e quinhentas mulheres em cem mil partos e 195 crianças por cada mil nados-vivos, tendo a África registado 260 mil mortes maternas e entre quinhentos a mil óbitos por cada cem mil nascidos-vivos, esta a triste estatística africana exibida nas comemorações do dia mundial da saúde.

Os dados expostos ao público, num trabalho conjunto da OMS e do MINSA-Ministerio da Saúde, apontam ainda as percentagens das principais causas de mortalidade materna assim como o aborto perigoso é responsável pela morte de 13% de mulheres, as infecções representam 15%, as hemorragias 24%, partos obstruídos 8% e causas indirectas 20%.

Estes números, segundo o director geral adjunto da OMS, Anafir Asamoa Baah, que está em Angola a presidir os festejos de mais um dia mundial da Saúde demonstram o grau de negligência com que s as mulheres e as crianças são tratadas no nosso continente.

“A gravidez é uma maneira natural de reproduzir, mas para muitos em África ficar gravida é como se fosse um suicídio. Muitas mulheres morrem como resultado da gravidez ou do parto, ou ficam deficientes e doentes. Gravidez tem se tornado num comportamento de risco, isto não é normal.

Isto é uma tragédia de África, mas a grande tragédia para todos é que muitas dessas mortes em crianças e mulheres podem ser evitadas. Elas não são necessárias, são desnecessárias, elas não podem acontecer porque nós sabemos o que devemos fazer de formas a preveni-las e minimizar os seus efeitos e só não fizemos isso porque não reconhecemos plenamente as nossas prioridades.”

Asamoa Baah disse ainda ser necessário que se comece a cuidar da mulher desde a infância, pois os índices de morbi-mortalidade que hoje afligem a África é resultado dos maus tratos ou das fracas políticas sanitárias dos africanos.

Para o ministro angolano da Saúde, Sebastião Veloso, o lema escolhido pela OMS para celebrar este ano o 7 de Abril é pertinente por ser uma preocupação de todos, mas neste momento Angola está a braços com uma epidemia causada por um vírus tão mortífero como é o Marburg.

“Angola tem um dos priores índices de desenvolvimento humano com taxas de mortalidade infantil e materna das mais altas do mundo por isso neste momento e neste dia precisamos de fazer uma pausa e uma reflexão para podermos lançar um desafio para o futuro.

Uma pausa e uma reflexão nas nossas vidas para analisarmos em que programas nacionais falhamos para que um povo generoso como é o angolano tenha uma taxa geral de mortalidade tão alta, assim com taxa de mortalidade infantil e materna muito altas. Nesta pausa vamos fazer uma reflexão profunda e depois transformaremos os variadíssimos problemas que encontramos hoje na saúde em desafios”. Segundo o ministro da saúde ate hoje foram registados 181 casos com 159 mortos, e a taxa de letalidade baixou dos cem por cento iniciais para 83%.

Sebastião Veloso informou tambem que no inicio a epidemia dizimou mais crianças do que adultos e que pelo grande esforço desenvolvido por todas as camadas da sociedade, a epidemia está confinada exclusivamente à província do Uíje.
 
Comentários
Quer Comentar?
Nome E-mail ou Localização
Comentário
Aceito as Regras de Participação