Massacre do Ambriz em 2001 foi obra da UNITA, admitem os seus autores
23-04-2005 | Fonte: Lusa
O massacre do Ambriz, que em finais de 2001 vitimou no norte de Angola 18 civis que andavam a caçar, na sua maioria portugueses, foi perpetrado por militares da UNITA, escreve o semanário Grande Reportagem na sua edição posta hoje a circular.

Em extensa reportagem assinada pela jornalista Felícia Cabrita, a matéria inclui um depoimento de um antigo coronel das forças armadas de Jonas Savimbi, José "Regresso", hoje general integrado nas Forças Armadas Angolanas (FAA).

O crime, cometido a meio da noite e durante uma missão de avanço de uma força militar da UNITA em direcção à capital do país, Luanda, não terá visado deliberadamente civis e, segundo o oficial, foi cometido de forma acidental.

As chefias da UNITA, segundo o general Kamorteiro, então chefe do estado-maior das tropas de Savimbi, ficaram a braços com um crime de difícil explicação e optaram pelo silêncio sobre o acontecido, escondendo a sua autoria face ao melindre político que envolveria o seu comprometimento.

Segundo a reportagem de Felícia Cabrita, o então coronel José "Regresso" chefiava um batalhão de três centenas de homens, em trânsito do Uíge (norte) para os arredores de Luanda com a missão de realizar acções de desestabilização, numa altura em que as FAA apertavam o cerco a Jonas Savimbi no centro do país.

"Um tiro não cheirava se era caçador ou FAA" (soldado governamental), justificou o ex-oficial da UNITA em declarações recentes à jornalista, acrescentando que o jipe foi metralhado a coberto do escuro da noite.

A autoria do incidente, que ficou conhecido por "massacre do Ambriz", nome da região onde foi perpetrado, esteve até agora por esclarecer e os seus autores, que actualmente beneficiam de imunidade ao abrigo da lei de reconciliação angolana, poderão não vir a ser responsabilizados judicialmente.
 
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