«Vamos ter de aturar também esta pouca-vergonha?»
15-05-2005 | Fonte: Semanário Angolense
Não deve ser permitido que dois pederastas, Bruno e Chano, abram uma brecha em dois pilares da idiossincrasia angolana: sexo e casamento assentes em relações heterossexuais

Uma insólita união entre dois homossexuais angolanos abriu o flanco para um inesperado debate do foro comportamental no país. Inúmeras interrogações, tendo pelo meio receios legítimos suscitados por esses pederastas, são agora colocadas.

Em matéria de casamento e sexo, estarão os angolanos mais liberais e receptivos a práticas indecorosas e que, à partida, não se inscrevem no padrão cultural africano? Em relação ao sexo, a nossa ortodoxia já não consagra, exclusivamente, o relacionamento heterossexual? No que respeita ao casamento, apesar da conhecida predisposição africana para a poligamia, em oposição à monogamia, as uniões entre pessoas de sexos opostos, homens ou mulheres, já não são vistas literalmente como aberrações? Enfim, Bruno e Chano, os «gays» que resolveram juntar as trouxas sexta-feira, 06 de Maio, em Luanda, teriam perfeitamente passado despercebidos. Mas o problema é que eles estão num país africano que se chama Angola, onde, até prova em contrário, casamento e sexo apenas são concebíveis entre um homem e uma mulher.

Bruno e Chano, é verdade, não se casaram nem no civil, nem no religioso, o que significa que a união entre ambos não tem qualquer valor legal. É como se não existisse. Valha-nos, pois, isso. Mas estaríamos a ser demasiado simplistas e redutores se deixássemos este assunto como está. Legalmente, não há como impedir que estes dois gays rebolem um sobre o outro na mesma cama, uma alcova algures nas «Bês», ex-Bairro Indígena. No entanto, não há nenhum fundamentalismo, nem preconceito em chamar a atenção para os reflexos perversos e daninhos que advêm de se estar a assistir, impavidamente, à proliferação de comportamentos que, nem próxima nem remotamente, têm a ver com a matriz desta sociedade. Há que fazer alguma coisa, sob pena de vermos esse fenómeno que, do nosso ponto de vista, tem tudo de asqueroso, crescer e engordar no nosso quintal como uma cobra, e um dia desses acabar por conspurcar e engolir a nossa sociedade, sobretudo a nossa mocidade.

O caso de Bruno e Chano, que na nossa já proverbial distracção parece hoje inofensivo, pode mais tarde ganhar proporções assustadoras e sem retorno no plano dos comportamentos. Por isso é que é imperioso que se faça alguma coisa.

Fazer algo não significa esfolar, matar ou pôr na cadeia. Existem mecanismos que, sem ser coercitivos já que não estamos em presença de um ilícito criminal, um caso de polícia, podem perfeitamente ser accionados para, no mínimo, atenuar a progressão do fenómeno. Os pais são chamados a «vigiar» melhor o comportamento dos filhos, por onde andam e com quem se envolvem.

Isto significa que tudo tem de começar em casa. Estamos perante uma questão de educação e isso começa, como sabemos, no berço. Salvo seja para situações declaradamente de natureza biológica – e mesmo contra estes casos deverá haver algum antídoto, assim como o há contra a impotência sexual e a infertilidade –, os pais não devem pura e simplesmente soçobrar, cruzando os braços quando os seus filhos começam a ganhar hábitos desgraçadamente feios.

Depois dos lares, seguem-se as escolas. Os professores também são chamados a encarar de frente esta «cruzada». Ninguém está aqui a concitar atitudes discriminatórias, sugerindo uma quarentena para crianças com tendências gays. Mas não seria aceitável que um professor primário, por exemplo, qual pastor incapaz de apascentar devidamente as suas ovelhas e carneiros, permitisse a livre proliferação nas suas classes de tendências e comportamentos que mais facilmente podem resultar em desvios de personalidades no futuro. E quem fala de professores, também pode falar em psicólogos, sociólogos e outros agentes sociais que podem exercer um papel psico-pedagógico que dissuada comportamentos do género entre os jovens.

Alguém falou em polícia? Claro que não, pois já vimos que o «casamento» entre Bruno e Chano não tem cunho de lei. Mas não seria pedir demais que fossem reprimidas, com a devida «virilidade», eventuais cenas públicas de menores homossexuais que se beijam e apalpam-se descaradamente na via pública e à luz do dia. Se serve para alguma coisa, vale a pena lembrar que este já foi um país em que, no tempo da Odp, um celebérrimo corpo de milícias, era considerado um atentado à moral pública que duas pessoas, mesmo que maiores e vacinadas e mesmo que de sexos opostos, trocassem um abraço mais acalorado na via pública, ainda que isso fosse feito a coberto da noite.

Se, naquele tempo, muita gente de barba rija levou açoites da Odp por práticas que nada tinham de antinatural, viria daí algum mal ao mundo, cairiam por acaso o Carmo e a Trindade, se hoje em dia os agentes da polícia fossem instruídos a dar o necessário «correctivo» a meninos e meninas do mesmo sexo que resolvam, publicamente, «perder-se em ardores carnais»?

Não se trata de repressão a uma «minoria», pois os homossexuais não são nada disso. Há países avançadíssimos e liberais em matéria de comportamentos, onde casos do género continuam a não ser aceites pela maioria das pessoas. Em todo o caso, entre nós há verdadeiras minorias para as quais ninguém liga nenhuma. Povos como os «khoi sun», por exemplo, vegetam por aí, sem que tenham cometido qualquer crime. É para estes que deve ir o nosso carinho. E não para pessoas, que escudadas em certos tipos de taras, têm comportamentos quase delituosos. Afinal, não são os indivíduos homossexuais que, quase por regra, acabam por transformar-se em ferozes predadores sexuais de criancinhas, ou seja, pedófilos?

Vamos, por último, ao papel dos decisores públicos, cuja intervenção se nos afigura primordial. Já é tempo de se legislar qualquer coisinha em relação a muitos aspectos da vida em sociedade, principalmente daquela que diz respeito ao lazer da juventude. Há por aí, de facto, muitas brechas por onde se instilam comportamentos que mais tarde acabam por se revelar nocivos para o equilíbrio e a sanidade dos jovens angolanos. Não existem normas pré-estabelecidas para aspectos tão simples como a idade mínima de acesso às discotecas, onde o álcool jorra a potes e é consumido por gente que mal deixou de usar fraldas.

Já se gastou muito latim em críticas contra estabelecimentos de entretenimentos cujos critérios de selecção do público são de cariz racista. Mas nada ouvimos acerca do facto de muitos destes locais não só serem escancaradamente permissivos à entrada de menores, como terem «programinhas» impróprios para crianças. Todos, convenhamos, aspectos que estimulam o sexo desbragado e, no limite, podem contribuir para inculcar nos jovens exactamente os «comportamentos desviacionistas» que estamos agora a criticar. As mesmíssimas taras de que padecem Bruno e Chano, os jovens que acabam de «contrair matrimónio».

Seria de bom-tom estabelecer regras e critérios adequados à nossa realidade na importação de alguns «enlatados» dirigidos à população juvenil e que a nossa televisão pública tem vindo a passar. Alguém já tratou de contabilizar quantos estragos resultaram da conhecida série brasileira «Malhação», que a Tpa passou a destempo, contribuindo para a conduta menos correcta e atípica que temos vindo a observar relativamente ao vestuário dos nossos jovens, que sugerem sexo de dia e noite, mesmo quando ainda estão em idade casta?

Artigo publicado na ultima edição do Semanário Angolense.
Leia Mais em www.semanarioangolense.com
 
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