MPLA mantém equipa para eleições em 2017
04-06-2016 | Fonte: O País
O responsável do Observatório Político Social de Angola (OPSA), Fernando Pacheco, é de opinião de que a acumulação do cargo de governador e primeiro secretário provincial do partido pode prejudicar a governação da província.
 
Com vista a realização do Congresso Ordinário previsto para o próximo mês de Agosto, os militantes e a direcção central do MPLA mantiveram a maioria dos primeiros secretários provinciais, com excepção de Luanda, onde Bento Bento foi rendido por Francisco Higino Lopes Carneiro, no Kuando-Kubango com a eleição de Pedro Mutindi e no Kuanza- Norte onde o novo homem forte dos “camaradas” é José Maria F. dos Santos Com dois compromissos políticos agendados para 2016 e 2017, concretamente o Congresso Ordinário e as eleições gerais, o MPLA quer voltar a merecer a confiança dos eleitores.
 
Para já, a equipa que trabalhou para garantir a vitória do partido que governa o país não foi alterada. Nas Assembleias de balanço e de renovação de mandatos, os primeiros secretários das 18 províncias foram reeleitos e serão os cabos com quem o presidente do partido, José Eduardo dos Santos vai contar para o desafio eleitoral. Em Benguela, apesar da polémica havida, Isaac dos Anjos foi reconduzido no cargo.
 
No Huambo, Kundi Paihama, em Malanje, Kwata Kanawa continuam à frente do partido. É também o caso da Lunda Norte, com Ernesto Muangala, do Namibe, com Rui Falcão e Uíge, com Paulo Pombolo. Nas províncias do Zaire, Lunda-Sul, Bengo, Bié, Cabinda e Cunene, foram reconduzidos os respectivos primeiros secretários, designadamente, Joanes André, Cândida Narciso, João Miranda, Boavida Neto, Matilde da Lomba, António Didalelwa. Na Huíla e Kwanza-Sul, Marcelino Tyipinge, e Eusébio Teixeira mantiveram os seus lugares na direcção do MPLA.
 
Opiniões
 
Fernando Pacheco, responsável do Observatório Politico Social de Angola (OPSA), é de opinião que a acumulação do cargo de governador e primeiro secretário provincial do partido pode prejudicar a governação da província na medida em que os governadores não têm tempo para se dedicarem 100% às funções do Estado a que foram nomeados. Para Fernando Pacheco, esta é uma situação que não lhe parece correcta. Disse ainda que parece haver uma vantagem muito grande em termos de recursos do Estado em proveito do partido, partindo do princípio de que o governador não vai deixar de usar o carro ou combustível do governo provincial quando for a uma actividade do partido. Declarou ainda que é vantagem o facto de os secretários, enquanto governadores provinciais, possuírem informações que os outros partidos não possuem.
 
Já para o analista politico, Alberto Cafussa, a recondução de todos os secretários provinciais, por sinal seus respectivos governadores, representa a tácita de não mudar a equipa vencedora. Disse ainda que espera que o MPLA, enquanto competidor no próximo pleito eleitoral, faça uma avaliação realista da relação entre esses seus dirigentes e as respectivas bases. O analista é de opinião que “os primeiros secretários provinciais, enquanto garantes da coesão interna do partido, têm a responsabilidade de promover a mobilização de militantes para a manutenção ou maximização da vitória. No caso presente, em que os primeiros secretários são os mesmos governadores, os actos se confundem e a má conduta do governador pode penalizar o MPLA. “O inverso também é verdadeiro. Contudo, embora legalmente não seja incorrecto, do ponto de vista psicológico, o eleitor não consegue separar o governador do primeiro secretário do partido”, afirmou.
 
 
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