“A SADC oferece um mercado com 318 milhões de pessoas”
17-10-2016 | Fonte: Mercado
José Carlos Burity, administrador executivo do Atlântico Namíbia, fala sobre o Fórum de Investimento SADC que o Atlântico Europa promove, no próximo dia 21, em Lisboa.
 
Qual o objectivo principal desta iniciativa do Atlântico Europa?
 
O Atlântico Europa pretende alertar potenciais investidores portugueses e europeus em geral para as reais oportunidades de investimento na região da SADC, após alguns anos a estudar o potencial do mercado africano e da região em particular, no âmbito da estratégia de posicionamento multigeográfico da marca e com a abertura da sucursal na Namíbia em Dezembro de 2015. Pretende-mos apresentar um mercado novo para muitos, com 318 milhões de habitantes, um potencial de consumo que ascenderá a 359 milhões de pessoas em 2020 e um Produto Interno Bruto de cerca de 665 mil milhões USD no mesmo ano segundo projecções do Banco Mundial e Fundo Monetário Internacional.
 
Conhecendo os investidores tão pouco acerca da Namíbia, quais são os principiais factores de atracção?
 
Acreditamos que, estando na Namíbia, pela sua posição geográfica, temos acesso livre para potenciar oportunidades de negócios no bloco de países da comunidade com melhores condições para investimentos, no caso África do Sul, Angola e Botswana. A Namíbia parece-nos ser o país desta sub-região mais indicado para um investidor com a ambição de conquistar novas oportunidades na região, e não é por acaso que muitos consideram o país como a Suíça de África.
 
Ter acesso a este mercado é ter acesso à SADC. Isso significa ter acesso a que tipo de mercado regional?
 
Somos de opinião de que o acesso ao mercado regional da SADC deve ser feito de forma faseada, onde o foco inicial para os investidores portugueses, até por razões históricas, deverá ser feito por via da Namíbia ou Angola, onde a marca Atlântico tem presença firme e experiência comprovada há mais de 10 anos. A partir destes mercados, os investidores terão acesso a um consumo potencial que ronda, nesta primeira fase, os 85,5 milhões de habitantes, numa região com previsão de crescimento médio do PIB (Angola, Namíbia, Botsuana e África do Sul) próxima dos 4% e um PIB de 435 mil milhões USD em 2019. Angola é um dos países da região que mais se relacionam com a Namíbia, mas para tal os portugueses não precisam de ir à Namíbia, pois poderão investir directamente a Angola.
 
Ou também há aqui há uma oportunidade de entrada mais facilitada e com outro tipo de vantagens?
 
Dependendo da abordagem estratégica do investidor relativamente à abrangência do mercado que pretende conquistar, a resposta poderá ser uma ou outra. Se o foco for o mercado angolano, aconselhamos a adopção de uma estratégia mais direccionada para o efeito. No entanto, se a ambição for a conquista de outros mercados na região para além da lusofonia, a Namíbia apresenta um conjunto de vantagens competitivas relativamente aos seus vizinhos. A Namíbia cresceu 4,8% em 2015.
 
O que perspectiva o gabinete de pesquisa do Atlântico para quando chegarmos ao final de 2016?
 
As previsões de crescimento económico a nível mundial estão todas a ser revistas em baixa. Os países africanos, em particular aqueles que têm uma dependência excessiva do petróleo, apresentam previsões mais pessimistas. Atendendo à estreita relação comercial da Namíbia com Angola, mas também com a África do Sul, não será possível ficar imune ao abrandamento económico que se verifica naqueles dois países vizinhos.
 
No caso de Angola, que vantagem pode tirar do mercado namibiano?
 
Desde a altura da independência da Namíbia e depois de assinados acordos de livre circulação entre as duas fronteiras que Angola, em particular a região sul do país, tem a Namíbia como principal mercado abastecedor. Estudos elaborados internamente, bem como visitas efectuadas às principais províncias do Sul de Angola, no âmbito das actividades comerciais do Atlântico Namíbia, têm mostrado que as províncias da Huíla, Huambo, Benguela, Cunene, Namibe e Cuando Cubango são preferencialmente abastecidas através das fronteiras com a Namíbia. Estamos a falar de uma população agregada de 9 milhões de habitantes com todo o tipo de necessidades de consumo, que representa 35% do potencial de consumo de Angola.
 
Quantas empresas angolanas têm já presença na Namíbia?
 
Existem há vários anos algumas empresas angolanas a desenvolver diversas actividades em vários sectores, como por exemplo o grupo Bongani, que trabalha na área da consultoria e energia entre outros segmentos. Ou a ACREP, no sector dos petróleos, e a Omatapalo, que tem estado a concorrer em concursos públicos no sector da construção. São vários os investimentos de capital angolano no sector do turismo e imobiliário. Ao longo dos dez meses de actividade em território namibiano, o Atlântico tem estado a prestar um serviço de aconselhamento a um número significativo de entidades angolanas e empresários que mostram interesse no mercado, com maior incidência para o capital proveniente do sul de Angola, assim como a constatação de um número significativo de empresas do sector do comércio a exercerem a actividade.
 
 
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