Depósitos bancários mantêm crescimento
09-11-2016 | Fonte: Jornal de Angola
O peso dos depósitos em moeda nacional mantém a tendência de crescimento, em detrimento da moeda estrangeira, passando a representar 69 por cento dos depósitos totais, mais quatro pontos percentuais em relação ao ano anterior, numa altura em que a banca soma perdas avaliadas em 355,6 mil milhões de kwanzas (2.133 milhões de dólares) de créditos malparados.

Os dados foram revelados, segunda-feira, em Luanda, pela consultora Deloitte Angola, no estudo “Banca em análise 2016”, que analisa os resultados dos relatórios e contas apresentados publicamente pelos bancos que operam em Angola.

O relatório revela que a constituição de provisões para o crédito dos bancos aumentou 107 por cento em 2015, ano em que, por sua vez, o valor dos activos agregados das instituições atingiu 7,512 mil milhões de kwanzas (45 mil milhões de dólares).

O valor total dos depósitos de clientes na banca nacional foi de 6.094 mil milhões de kwanzas em 2015, representando um crescimento de 12 por cento, face a 2014.

O crédito líquido a clientes registou também um aumento, em comparação com o ano de 2014. Considerando os bancos analisados, o total de crédito líquido ascendeu a 2.736 mil milhões de kwanzas, o que representa um crescimento de seis por cento, face a 2014, com o BPC (Banco de Poupança e Crédito), BAI (Banco Angolano de Investimentos) e o BIC (Banco Internacional de Crédito) a liderarem a lista dos que mais créditos concedem.

Essa variação incorpora o efeito da valorização dos créditos concedidos em moeda estrangeira ao câmbio oficial. O estudo demonstra ainda que a constituição anual de provisões para o crédito dos bancos aumentou 107 por cento e, no que se refere ao rácio de crédito vencido, este manteve-se nos treze.

Para a consultora, os bancos angolanos devem desenvolver esforços para adaptar a oferta de produtos e serviços aos diversos segmentos, com propostas de valor distintas e com foco na inovação.

Para o efeito, a banca angolana deve apostar na melhoria dos processos de negócio e na permanente actualização tecnológica, em linha com as tendências globais. Nuno Alpendre, responsável de consultoria em serviços financeiros da Deloitte em Angola, diz que “o crescimento continuado da utilização dos meios electrónicos de pagamento tem criado novas oportunidades e desafios no sector.”

O volume de activos agregados das instituições financeiras angolanas incluídas na 11ª edição do estudo “Banca em análise”, da Deloitte, fixou-se nos 7.512 mil milhões de kwanzas, em 2015. O resultado líquido total dos bancos em análise registou um crescimento de cerca de 19 por cento, no mesmo período, para os 116.512 milhões de kwanzas, valor que não considera as instituições financeiras com início de actividade em 2015, mas que incorpora a valorização dos activos e passivos em moeda estrangeira ao câmbio oficial.

Na posição relativa entre os cinco maiores bancos do mercado angolano, que não tem em conta as demonstrações financeiras relativas ao exercício de 2015 do Banco Económico, BAI Micro Finanças e Kwanza Invest, o BPC continua a liderar a lista com um activo total de 1.339 mil milhões de kwanzas, ­seguido pelo BFA, BAI, BIC e BPA. Os cinco maiores bancos (BFA - Banco de Fomento Angola, BAI, BIC e BPA - Banco Português do Atlântico) representam 69 por cento do total do activo dos bancos em estudo que, no presente caso, regista um aumento de 12 por cento, face ao ano anterior.

O presidente da Deloitte em Angola, Rui Santos Silva, realça que, “no contexto económico actual, é de destacar que o sector financeiro angolano registou em 2015 um crescimento dos activos e depósitos entre os bancos comerciais analisados, o que demonstra a resiliência das instituições bancárias do país.” Para Rui Santos Silva, é também importante assinalar que, pela primeira vez, foram comercializados títulos de dívida soberana angolana no mercado financeiro internacional. “Esta emissão foi um passo importante para a diversificação das fontes de financiamento dos agentes económicos”, salientou. José Barata, sócio e líder do sector de serviços financeiros da Deloitte em Angola, disse que em 2015 se assistiu ao aumento do número de bancos comerciais em actividade, por si um sinal da resiliência do mercado.

“Paralelamente, em virtude do aumento das exigências regulamentares que incidem no sector bancário, perspectiva-se que os bancos angolanos tenham importantes desafios na melhoria dos níveis de controlo interno e na adopção das normas internacionais de contabilidade e relato financeiro (IFRS), que implicam a implementação de novos modelos de cálculo de perdas para imparidade de crédito e a consequente melhoria nos processos de acompanhamento e recuperação do risco de crédito”, analisou José Barata.

Adicionalmente, José Barata destaca a relevância que tem a assinatura do Acordo intergovernamental entre Angola e os Estados Unidos, para a implementação do Foreign Account Tax Compliance Act (FATCA), “que será mais um factor que deve contribuir para a necessária melhoria dos processos de compliance e do combate ao branqueamento de capitais.”
 
Comentários
Quer Comentar?
Nome E-mail ou Localização
Comentário
Aceito as Regras de Participação