Taxistas começam greve de três dias em Luanda
15-02-2017 | Fonte: Lusa
A Nova Aliança de Taxistas anunciou uma greve para segunda-feira, em protesto contra a falta de respostas do Governo da Província de Luanda a reclamações antigas, como a cedência de paragens definitivas para o exercício da actividade.

Em declarações à agência Lusa, o presidente da Nova Aliança de Taxistas, Geraldo Wanga, disse que na passada segunda-feira foi já entregue ao governo provincial de Luanda uma carta a anunciar a paralisação dos serviços dos mais de 17 mil associados, em Luanda, entre segunda e quarta-feira da próxima semana.

A razão da greve, segundo Geraldo Wanga, é a mesma que levou à paralisação dos taxistas - também conhecidos como 'candongueiros' - em 2015, problemas que até hoje não foram resolvidos.

"Infelizmente são promessas e promessas e de lá para cá nenhuma delas se cumpriu, mas nós, em função disso, preferimos relembrar. Estamos a parar por falta de paragens definitivas para o exercício da nossa atividade", disse.

"Uma vez que o próprio governo provincial é que não tem criado as condições, a polícia não devia estar por cima de nós como tem andado", acrescentou.

Geraldo Wanga lamentou igualmente a "falta de definição", por parte do Ministério do Interior, sobre "quem pode ou não fazer o serviço de agente regulador de trânsito, porque, nos últimos dias, todo o mundo é regulador de trânsito, todo o mundo cria variantes para os taxistas, por saberem que é um negócio lucrativo".

"Todo o polícia é só usar a farda e quer interpelar, quer importunar, ficamos sem perceber. A brigada canina, brigada montada, proteção escolar, todo o mundo interpela, até a polícia militar, então nós ficamos sem perceber", referiu.

O responsável disse que, na carta enviada ao Governo da Província de Luanda, foram anexadas outras correspondências em que associados dos municípios de Cacuaco e Viana narravam, em outubro e novembro, os problemas por que passam para trabalhar, manifestando já que no prazo de 15 dias, se não fossem resolvidas as reclamações, partiriam para uma paralisação.

"Nós, enquanto direção, fomos acautelando a situação dos nossos associados, mas chegou uma altura em que, até nós os dirigentes, também não tínhamos mais hipóteses", frisou.

Recordou que, em novembro de 2016, o assessor jurídico do Governo da Província de Luanda anunciara a definição das primeiras 320 paragens aprovadas pelas autoridades, a serem implementadas no início de dezembro, contudo, "nem uma e bem outra" foi cumprida.

"E as poucas que nós tínhamos foram retiradas, quer dizer, estamos a exercer a nossa atividade de forma empírica, cada comandante que toma posse implementa as medidas da forma que lhe convém. Acordou maldisposto, os táxis não podem parar aqui e os subordinados só obedecem. Enfim, é uma sarrabulhada que estamos a viver e gostávamos de pôr um basta", criticou.

Wanga apelou ao governo provincial para que olhe "com uma certa seriedade" para os problemas que afetam os taxistas e pediu que eventuais medidas futuras não sejam tomadas de forma unilateral: "[Gostaríamos] que contassem com a nossa participação, a nossa sugestão, os nossos pareceres".

Segundo o presidente da Nova Aliança de Taxistas, a associação conta atualmente com 22 mil filiados em todo o país, mas o número cresce diariamente, pelo que, tendo em conta que a última atualização foi realizada em novembro do ano passado, o número deverá ter aumentado.

Nos protestos protagonizados pela mesma associação, em 2015, a polícia deteve mais de uma dezena de taxistas, na sequência da greve, que resultou em agressões e destruição de viaturas.
 
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