Cheias voltam ameaçam o Cunene
07-03-2017 | Fonte: Novo Jornal
A forte pluviosidade sentida nas últimas semanas colocou o Serviço de Bombeiros e Protecção Civil (SBPC) do Cunene em alerta mas, para além de alguns focos de cheias provocadas pela subida dos caudais dos rios Cuvelai e Cinene e de poder ocorrer um agravamento das condições meteorológicas, a situação ainda não é de extrema gravidade, como ocorreu entre 2009 e 2011.

O comandante do SPBC do Cunene, Joaquim António, descreveu a situação actual ao Novo Jornal "online", de onde sobressai, como maior risco, para já, devido à subida das águas dos dois principais cursos de água na província, os rios Cunene e Cuvelai, poderem ser arrastados detritos nocivos (lixo) acumulados nas margens para locais habitados ou frequentados pelas populações locais.

No entanto, sublinhando que neste momento se pode afirmar que "existem focos de cheias mas não de inundações", Joaquim António disse que a atenção do SBPC está centrada na monitorização da pluviosidade nas províncias a montante, especialmente o Huambo e o Kuando Kubango, que podem fazer aumentar substancialmente os caudais dos dois cursos de água, agravando o actual cenário.

"Estamos, naturalmente, a acompanhar a situação, em conjunto com o Governo Provincial, para, minuto a minuto, tomar, se necessário, as medidas adequadas para minimizar os riscos", acrescentou o comandante do SBPC do Cunene.

Com equipas colocadas nos principais locais de risco, o SBPC tem em mãos, como principal actividade, "ajudar as pessoas a atravessar os cursos de água onde se revelar necessário" e, apontou ainda, "aconselhar as populações a afastarem­se destes locais quando a situação o exigir".

Para já, a cidade de Ondjiva não está a ser afectada de forma a exigir cuidados extraordinários, mantendo­se a eficácia dos diques criados para proteger a urbe, como adiantou ainda Joaquim António.

No que toca à pluviosidade directa na província do Cunene, esta está a ser "acima do normal", o que justifica a existência de algumas cheias localizadas, mas sem populações em risco, embora já existam algumas estradas secundárias intransitáveis.

Todavia, reafirmou o comandante do SBPC do Cunene, "o principal foco das atenções está nas províncias vizinhas ­ Huambo e Kuando Kubango ­, de onde chegam ao Cunene as escorrências das chuvas que ali se fazem sentir".

Estas chuvas são parte fundamental do sistema natural que alimenta as regiões a Sul, como a Namíbia e o Botsuana, cujo Delta do Okavango, por exemplo, "vive" destas chuvas que o alimentam a partir das terras altas de Angola.

Uma fonte indicou ainda ao Novo Jornal que um homem, natural de Benguela, morreu próximo de Ondjiva, quando decidiu tomar banho num local que encheu devido à subida do caudal do rio.

Recorde­se que em 2009, cenário que se repetiu depois em 2010 (que pode ser observado nesta foto de arquivo), morreram dezenas de pessoas por causa das inundações no Cunene e , especialmente nos municípios de Namacunde, Kwanhama, Cuvelai e Ombadja, largos milhares de pessoas ficaram sem casa, milhares de cabeças de gado morreram e centenas de hectares de culturas foram destruídos.

Nesse ano, um dos principais problemas foi a cedência dos diques existentes, na maior parte dos casos, por falta de manutenção, situações que, na sequência das inundações dos anos de 2008 a 2010, foi minimizada com a reabilitação destas protecções, bem como criadas passagens hidráulicas, o que pode ter ajudado a evitar novas situações dramáticas.
 
Comentários
Quer Comentar?
Nome E-mail ou Localização
Comentário
Aceito as Regras de Participação
Foto-Destaque
Foto-Destaque
Questionário