Militares suspeitos de assassinar adolescente no Zango continuam impunes
15-06-2017 | Fonte: Correio Angolense
Os militares do Posto de Comando Unificado (PCU), uma força adstrita à Região Militar de Luanda, suspeitos da morte a tiro do menor Rufino António, de 14 anos, durante a onda de demolições desencadeada na localidade de Walale, no Zango III, em Viana, podem sair impunes, desconfia Luís Nascimento, advogado da família.

O causídico lembra que, passados mais de oito meses, as autoridades judiciais ainda não descobriu o assassino, apesar de a Procuradoria-Geral da República ter ouvido quatro elementos das FAA suspeitos da morte do adolescente.

O processo, segundo Luís Nascimento, se encontra ainda em fase de instrução preparatória na Direcção Nacional de Acção Penal, motivo que o leva a crer que o caso esteja encalhado na Procuradoria-Geral da República.

“Há uma tendência em Angola de se atrasar as peças de processos de indivíduos afectos à Policia Nacional ou às Forças Armadas Angolanas (FAA) que estejam envolvidos na morte de alguém para saírem impunes”, considera Luís Nascimento, reclamando por mais celeridade no caso.

Desespero da família

Marcelino Rufino António, pai do menor morto que na altura frequentava a quarta classe numa escola da zona e cujo sonho era, ironicamente, ser uma autoridade policial, diz que não entende as razões para o atraso do julgamento. Ele apela que se faça justiça aos homens que tiraram a vida ao filho que dizia “papá quando terminar a formação quero ser polícia e poder ajudar a família”.

Recorde-se que a morte do adolescente, causada pelo disparo de uma arma de fogo por um suposto militar, em Julho do ano passado, levantou grande onda de indignação no seio da sociedade civil que exige que os culpados sejam descobertos e responsabilizados criminalmente.

Acossado pela sociedade civil, o comandante do Posto de Comando Unificado, coronel Silvano Ndongua, que coordenava as tropas no local das demolições, atribuiu a morte do menor a um grupo de deputados da UNITA que se deslocara ao local para averiguações em torno dos confrontos entre militares e populares que ocorriam na zona do Walale, Zango III.
 
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