Voltam os desmaios coletivos em escolas de Luanda
15-06-2017 | Fonte: Novo Jornal
Cerca de 50 adolescentes e jovens da Escola António Jacinto, em Luanda, deram entrada no Hospital dos Cajueiros por terem desmaiado a seguir ao surgimento de um odor intenso num dos corredores do estabelecimento de ensino. É o regresso de um dos mais densos mistérios da sociedade angolana nos últimos anos.

Como o Novo Jornal constatou no Hospital dos Cajueiros, cerca das 11:00 de hoje, os alunos da escola de formação de professores localizada no Tala Hadi, Cazenga, foram transportados pelos bombeiros, muitos deles ainda inconscientes.

A directora clínica dos Cajueiros, Amélia Ucuahamba, disse ao Novo Jornal Online que os 49 alunos deram entrada nas urgência do hospital onde foram assistidos de imediato e, depois da primeira observação, foram conduzidos para posteriores análises e outros exemples complementares de diagnóstico.

Dos alunos que deram entrada, há pelo menos três que a médica indicou estarem em situação crítica.

As razões para este subido desmaio colectivo, tal como as centenas de casos verificados desde 2010 em Angola, continuam por apurar, apesar de análises feitas em laboratórios de todo o mundo.

Neste caso, um dos alunos contactados à porta do Hospital dos Cajueiros pelo Novo Jornal Online explicou que os desmaios ocorreram quando tocou para intervalo e sentiram um forte odor no corredor de acesso ao pátio, tendo, de imediato, começado os desmaios em catadupa.

Esta aluna, Josefina Fernandes, de 21, admitiu que não lhe foi possível identificar o intenso odor que antecedeu a série de desmaios, afirmando apenas que se tratava de "uma coisa muito intensa".

Uma das situações estranhas relatada por esta aluno foi que, com a percepção de que o odor não era normal e com os primeiros desmaios, os alunos tentaram fugir para a rua, mas, conta, "o segurança de serviço fechou a porta", impedindo­os de prosseguirem para o exterior do edifício.

Contactada a direcção, a directora recusou prestar declarações ao Novo Jornal Online, alegando que não obteve autorização da Direcção Municipal de Educação do Cazenga para falar com os jornalistas.

Estes desmaios são, no entanto, um dos grandes mistérios por esclarecer em Angola.

"Transmite-­se pelo olhar"

Os desmaios entre estudantes das escolas angolanas ganhou maior dimensão há cerca de quatro anos, tendo sido constituída, por decisão do Presidente da República, uma comissão interministerial, com a participação da Organização Mundial de Saúde e da Protecção Civil para estudar o que está na origem destas ocorrências mas, segundo uma fonte de um dos organismos que integrou esta comissão, até ao momento a única conclusão é que a investigação foi inconclusiva.

Uma das questões que foi considerada importante durante o estudo, segundo a mesma fonte, é que, provavelmente, o agente ou os agentes, ou as condições que levam ao surgimento dos desmaios, não são detectados nas análises porque estas não são efectuadas no local devido à urgência de retirar as pessoas do sítio onde estes acontecem e a prioridade é enviar as vítimas para as unidades hospitalares.

Recorde-se que em 2011, após um elevado número de desmaios ter sido registado, as autoridades angolanas recolheram amostras sanguíneas de alunos afectados, enviando-as para laboratórios em Portugal e na África do Sul, embora estas não tenham revelado as causas do fenómeno.

Na altura, a Polícia Nacional iniciou investigações sobre este problema e chegou mesmo a deter algumas pessoas por terem libertado alguns tipos de gás lacrimogéneo em escolas, mas isso não se provou suficiente nem razão plausível para os desmaios porque estes continuaram e até se intensificaram.

Perante este muro intransponível para se chegar à origem deste fenómeno, meio a brincar, mas provavelmente também a sério, chegou a alastrar em algumas localidade de que a "doença" se transmitia só pelo olhar.

Especulação e pouco mais

Alguns dos sintomas mais comuns entre os jovens afectados são um mal-estar generalizado, fraqueza, dificuldade em respirar, vómitos e, no fim, o desmaio. Mas a origem do fenómeno continua por esclarecer.

Algumas versões que foram sendo publicadas na imprensa, nacional e estrangeira, defendem, entre outras razões, a possibilidade de se tratar de um químico natural, provavelmente libertado por alguma planta em determinadas épocas do ano.

A fraqueza dos alunos por alimentação insuficiente e o mimetismo ou os desmaios provocados por sugestão, também são possibilidades tidas em consideração.

Para já, há um elemento temporal que liga os primeiros casos registados em 2011 e os deste ano: ganharam intensidade entre Julho e Agosto.
 
Comentários
Quer Comentar?
Nome E-mail ou Localização
Comentário
Aceito as Regras de Participação
Foto-Destaque
Foto-Destaque
Questionário