FAF baralha verdade desportiva
08-08-2017 | Fonte: JD
O Conselho de Disciplina da Federação Angolana de Futebol (FAF) baralhou uma decisão por si tomada, no caso que envolve as equipas do Progresso da Lunda- Sul e do Santa Rita de Cássia FC do Uíge, referente à utilização irregular por parte do clube de Saurimo, do jogador Mário Rui de Abreu "Cabibi", com a licença nº 910502001.
 
 
O atleta foi utilizado no jogo referente à 18ª jornada do Girabola Zap de 2017, disputado no Estádio das Mangueiras, no passado dia 14 de Maio de 2017, diante da equipa do Santa Rita de Cássia FC do Uíge, quando na realidade este não devia alinhar na aludida partida, pois, pesava sobre si o quinto cartão amarelo, o que implica automaticamente a devida suspensão, por acumulação de cartões.
 
 
Aliás, tal decisão veio expressa no Comunicado Oficial da FAF nº 029/SG/17, de 29 de Junho, no qual o jogador em causa foi punido com um jogo de suspensão por ter atingido cinco cartões amarelos, conforme mandam os regulamentos. Essa resolução permitiu que no seu comunicado nº 032/SG/17, a FAF punisse o clube Progresso da Lunda - Sul com uma multa equivalente a Mil e Quinhentos dólares norte-americanos, em kwanzas, enquanto o jogador Mário Rui de Abreu "Cabibi" foi punido com uma suspensão de 45 dias.
 
 
Isso, permitiu que ao clube Santa Rita de Cássia do Uíge fosse atribuída vitória por 3-0, sobre a equipa da Lunda- Sul, mas passados 15 dias, exactamente no Comunicado Oficial nº 034/SG/17, de 3 de Agosto corrente, a FAF revogou a decisão e alega que a direcção do Santa Rita de Cássia fez uma falsa denúncia e tentou ludibriar a verdade desportiva.  
 
 
Alega ainda, o Conselho de Disciplina da FAF que foi contactado pelo árbitro Bernardo Moreira que ajuizou  o jogo da 17ª jornada do Girabola Zap de 2017, que envolveu as equipas do Sagrada Esperança e do Progresso da Lunda - Sul, em que o referido Juiz nega ter admoestado o jogador Mário Rui de Abreu "Cabibi".
 
 
Nisso, segundo o mesmo comunicado, à equipa do Santa Rita de Cássia FC do Uíge são retirados três pontos resultantes da vitória que lhe fora atribuída na secretaria , e concomitantemente sujeito ao pagamento de uma multa equivalente a Dois Mil e Oitocentos e Cinquenta dólares norte-americanos.
 
 
“Conselho de Disciplina agiu de má fé”
 
 
 
O presidente de direcção do Santa Rita de Cássia FC, Nzolani Pedro, mostrou-se indignado com a decisão tomada pelo Conselho de Disciplina (CD) da FAF, ao revogar a deliberação tomada no Comunicado Oficial da FAF nº 032/SG/17 do passado dia 20 de Julho do ano em curso, em que era atribuída vitória ao seu clube diante do Progresso da Lunda - Sul, por este último ter alinhado de forma irregular o jogador Mário Rui de Abreu "Cabibi".
 
 
 
Em declarações ao Jornal dos Desportos, Nzolani Pedro acusa o Conselho de Disciplina da FAF de usar dois pesos e duas medidas, num caso em que o clube Santa Rita de Cássia se acha com razão. "Não consigo entender o funcionamento do Conselho de Disciplina da FAF. 
 
 
Quando esse assunto veio à tona, as duas direcções dos clubes envolvidos foram convocadas pelo senhor presidente do CD da FAF, no sentido destas se reunirem no seu gabinete, a fim de se averiguar a veracidade dos factos. Nisso, eu desloquei-me por três vezes consecutivas para aquele gabinete, onde com o senhor presidente do Conselho de Disciplina ficámos à espera do meu homólogo do Progresso da Lunda - Sul, mas este não apareceu", defendeu-se Nzolani Pedro.
 
 
Segundo aquele dirigente, passadas essas três ocasiões em que o presidente do Progresso da Lunda - Sul não compareceu, eis que dias depois, aquele dirigente apareceu no gabinete do presidente do CD da FAF, na ausência do homólogo do clube do Uíge. 
 
 
"Está a fazer-me espécie o facto, depois de faltar ao encontro nos dias previamente marcados, o meu homólogo António Jamba tenha aparecido no gabinete do senhor presidente do Conselho de Disciplina a apresentar as provas que pudessem contrariar a versão constante do Comunicado Oficial da FAF, que alude a má qualificação do jogador, e por cima, na minha ausência. Isso, indicia que algo não vai bem aí. Em nosso entender, o Conselho de Disciplina está a agir de má fé", disse.
 
 
Nzolani Pedro acrescenta que, o seu clube não faz comunicados oficiais em nome da FAF, mas sim, a própria instituição que coordena o futebol no país é que faz isso, razão pela qual se interroga do por quê dessas trafulhas todas. "À semelhança de todos os clubes, nós clube Santa Rita de Cássia, não fazemos comunicados em nome da FAF. Quem os faz, é a própria federação. Como é possível agora, aparecer a acusar-nos de forjar documentos, quando a própria verdade consta dos relatórios de jogo, e eles sabem disso?", interrogou.
 
 
O presidente de direcção do clube do Uíge promete recorrer da decisão que lhe é desfavorável, de maneira que a justiça desportiva seja respeitada. "Vamos recorrer da decisão. Se é que existe de facto verdade desportiva neste país, nós vamos lutar para que  seja reposta a nosso favor", defendeu Nzolani Pedro. 
 
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