Mortes por malária com queda no primeiro semestre
16-08-2017 | Fonte: O PAÍS
A Sociedade Angolana de Pediatria registou, no primeiro semestre deste ano, em Luanda, uma queda satisfatória de mortes por malária em crianças dos 0 aos 14 anos de idade. Segundo o seu presidente, Cesar Freitas, no mesmo periodo do ano passado, a capital do país registou cerca de 90 casos de morte provocados pela doença. Porém, este ano, houve uma queda acima dos 50 por cento, tendo o saldo ficado entre 350 e 400 mortes.

Segundo o responsável, a diminuição deve-se, entre vários factores, ao aumento do saneamento básico a nível das comunidades, a ausência de chuvas e o melhoramento do sistema de atendimento nos centros médicos comunitários.

Outros dos pontos importantes prendem-se com a disponibilização de informação sobre o uso dos mosquiteiros e repelentes entre as populações, tendo esta prática ganhado espaço no quotidiano das populações que hoje reconhecem a importância do assunto.

“No ano passado vivemos um período muito difícil. Mas esse ano estamos mais aliviados. Podemos destacar vários factores, mas a diminuição das chuvas jogou um papel bastante importante neste processo. Poupou as nossas crianças de mortes por malária. E isso nos agrada bastante”, revelou.

Grandes hospitais descongestionados

O presidente da Sociedade Angolana de Pediatria referiu igualmente que, ao contrário do ano passado, a melhoria do atendimento nos postos de saúde comunitários contribuiu para que os grandes hospitais ficassem mais desafogados. Nos últimos seis meses, detalhou, a pediatria e outras unidades de referência conheceram uma diminuição acentuada no fluxo de procura pelos seus serviços.

“Como sabe, os nossos hospitais estão sempre abarrotados de pacientes. Mas nos últimos seis meses, houve uma diminuição das transferências. Grande parte dos casos foram tratados a nível local. E quando o atendimento é feito na comunidade, a chance do paciente sobreviver é maior”, apontou.

Segundo ainda Cesar Freitas, a Sociedade Angola de Pediatria vai continuar a trabalhar junto das comunidades no sentido de disseminar cada vez mais a informação sobre os perigos e os cuidados a tomar com a malária e demais endemias que afectam as crianças.

Dentre as acções previstas no seu plano de trabalho, o pediatra deu a conhecer que a sua organização continuará a desenvolver jornadas médicas em vários hospitais de Luanda visando avaliar o aumento e diminuição de casos da doença que ocorrem ao longo do ano.

“No ano passado fizemos um grande trabalho no âmbito das jornadas. Ouvimos as preocupações dos nossos profissionais, constatamos as dificuldades dos hospitais e, sobretudo, auscultamos as famílias dos pacientes que deram sugestões bastante importantes. Ao longo desse ano vamos continuar nesta senda”, prometeu.

Nada de conforto

Por seu lado, Gerson Castro, pediatra, defende a contínua aposta na prevenção para conter o fluxo de mortes.

Conforme atestou, uma maior divulgação da informação nas comunidades, melhorias no saneamento básico e a educação para o uso de produtos de combate ao mosquito podem evitar danos maiores.

“Os números que apontam para a redução não podem nos confortar. Precisamos de avançar, apostando sempre na prevenção para salvar vidas”, sublinhou.

Às famílias, Gerson Castro solicitou igualmente um sentido de responsabilidade acrescido nesta época de cacimbo, face às doenças oportunistas como as gripes, as tosses e as febres. É preciso, conforme frisou, que as mães tenham muita prudência para não ocorrerem dissabores evitáveis.
 
Comentários
Quer Comentar?
Nome E-mail ou Localização
Comentário
Aceito as Regras de Participação