Águas angolanas servem de refúgio para barcos que pescam ilegalmente na Namíbia
11-09-2017 | Fonte: Novo Jornal
O Governo namibiano informou as autoridades angolanas sobre a presença de um conjunto de barcos que, durante a noite, pescam ilegalmente nas águas territoriais namibianas, refugiando-se, de dia, no mar de Angola.

O Ministério das Pescas da Namíbia, segundo a imprensa daquele país, está preocupado com a pesca ilegal, especialmente de carapau, por barcos que encontram nas águas territoriais angolanas refúgio para as acções de vigilância da marinha do país vizinho.

De acordo com o secretário das Pescas do Governo namibiano, Moses Maurihungirire, as embarcações em questão recorrem às águas do mar angolano para escapar às acções de vigilância da marinha e da força aérea namibianas, pescando ilegalmente milhares de toneladas de carapau todas as noites, buscando refugia em Angola durante o dia.

O Governo de Windhoek não faz referência à nacionalidade das embarcações em causa, mas sublinha que já alertou o Governo de Luanda para a existência desta situação.

"Estamos a fazer tudo ao nosso alcance para deter e apreender os responsáveis por esta pilhagem e as suas embarcações, que estão a pescar de forma ilegal no mar da fronteira norte", da Namíbia com Angola, disse ainda Moses Maurihungirire.

Este responsável informou ainda que estas embarcações pescam em águas namibiana com a sua identificação apagada, bem como quaisquer marcas ou símbolos que permitam identificar a sua origem.

E sublinhou que possuem capacidade de detecção sofisticada por radar para detectar as patrulhas namibianas e, dessa forma, rapidamente procurar refúgio em águas angolanas.

Esta actividade em águas namibianas está a ser denunciada numa altura em que termina a proibição, entre Junho e Agosto, de pesca de carapau no Sul de Angola, medida accionada por forma a permitir a reposição dos stocks desta espécie, que tem sofrido acentuado declínio nos últimos anos.

O carapau é uma das espécies mais capturadas na região que separa a fronteira marítima entre o Norte da Namíbia e o Sul de Angola, sendo as capturas anuais namibiana, em média, de 320 000 toneladas, enquanto em Angola, a pesca de carapau esteve suspensa devido à necessidade permitir a recuperação da espécie, tendo sido permitida a importação de 90 mil toneladas para fornecer o mercado de uma das espécies mais consumidas no país durante os três meses do defeso.

A taxa de captura anual de carapau ainda está longe do seu potencial, sendo expectativa do Ministério das Pescas de ultrapassar as 500 mil toneladas ao ano em breve, tendo como referência as 600 mil que eram pescadas antes da independência, em 1975.
 
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