Dívida da Sonangol baixa 46% num ano
16-10-2017 | Fonte: Mercado
A dívida da Sonangol baixou cerca de 46% desde que a nova administração iniciou funções, em Junho de 2016, revelou a PCA da petrolífera,Isabel dos Santos, que falava em Londres, à margem da FT Africa Summit,onde explicou que a dívida da empresa baixou de mais de 13 mil milhões USD, para 10 mil milhões USD, no final do ano passado, tendo entretanto diminuído, até Junho deste ano, para cerca de 7 mil milhões USD.

A gestora, que participou no encontro comospeaker, num painel onde estiveram, entre outros, o vice-presidente da Nigéria, Yeml Osinbajo, e o CEO da Dangote, Aliko Dangote, reiterou que a Sonangol pretende reduzir obreak evennos custos de produção de petróleo em 20 a 30 USD, tendo como meta produzir a 40-50 USD o barril. Isabel dos Santos lembrou que a redução de custos e os ganhos de eficiência têm estado no topo das prioridades da companhia. O processo de mudanças lançado pela nova administração passa por estabelecer novos acordos de exploração e produção, assim como por baixar significativamente os custos de produção. “Estamos a reestruturar os nossos termos e condições para os tornar mais atractivos”, afirmou a gestora, que referiu que, em contratos anteriores, se verificou que “o nível de compromisso [para as empresas] não era atractivo”.

Programa de transformação em curso

Quando entrou em funções, a nova administração da petrolífera nacional realizou um diagnóstico exaustivo da companhia, incluindo avaliação de competência de colaboradores e de procedimentos. Na sequência da avaliação interna, num contexto económico difícil, a gestão avançou com um Programa de Transformação Operacional, que foi priorizado face à reorganização corporativa.

Este programa, como Isabel dos Santos havia explicado em Julho passado, na apresentação de contas da empresa referentes a 2016, passou por intervenções a nível financeiro, patrimonial, do negócio, de processos, jurídico, de recursos humanos, económico e social. Em Londres, a gestora afirmou que o Programa resultou num EBITDA positivo de 3,2 mil milhões USD, um ganho de 13% relativamente a 2015.

Produção de gás em alta

Entretanto, revelou Isabel dos Santos, a produção de gás da Sonangol em 2016 mais do que tripilicou face a 2015 (subiu 236% para o equivalente a 1,7 milhões de barriis por dia), devendo atingir os 5,3 milhões neste ano. O gás é uma área central da nova estratégia de diversificação de receitas da companhia, disse a PCA, até porque, explicou Isabel dos Santos, o consumo de gás deverá aumentar mais rapidamente do que o de petróleo.

A responsável enfatizou que a empresa tem de ser “mais ágil, mais competitiva, mais lucrativa e com uma gestão mais parecida com a que vemos no sector privado”. Na apresentação de resultados, recorde-se, Isabel dos Santos revelara que a Sonangol teve um resultado líquido de cerca de 13 mil milhões Kz em 2016, o pior da sua história, reflectindo a situação “grave” em que a empresa foi encontrada pela nova administração.

Nova refinaria com parceiros

Actualmente, disse em Londres, a Sonangol mantém a intenção de construir uma nova refinaria de petróleo, apesar do cancelamento “temporário” dos trabalhos para uma refinaria planeada no Lobito, em 2016. A companhia, revelou, está neste momento a procurar um parceiro para o projecto, havendo “um grande nível de interesse, operadores, investidores, financeiros”. “África será um daqueles continentes com o consumo em ascensão”, disse.

A redução de custos na Sonangol tem sido uma das linhas orientadoras e uma prioridade “desde o primeiro momento”. Em Julho, quando apresentou resultado da companhia, Isabel dos Santos revelou, por exemplo, que foi implementado o programa Sonalight, que prevê uma redução de custos até 200 mil milhões Kz (1,2 mil milhões USD), sendo que 113 mil milhões Kz (680 milhões USD) estavam, então, já aprovados.

Em 2016, com incidência sobretudo no segundo semestre, foi alcançada uma poupança efectiva de 53 mil milhões Kz (320 milhões USD), afirmou na altura. Em 2016, com incidência sobretudo no segundo semestre, foi alcançada uma poupança efectiva de 53 mil milhões Kz (320 milhões USD), afirmou na altura . “O diagnóstico inicial e a constatação da situação da Sonangol obrigaram à adopção de programas de optimização de recursos e de redução de custos, sem que, contudo, isso tenha implicado a necessidade de, até ao momento, aplicar qualquer processo de despedimentos”, frisou a PCA da empresa.

A administração, explicou, pretende “mudar o paradigma cultural, necessário para responder aos enormes desafios que se nos colocam”. Este desafio, sublinhou, “pode levar anos, anos esses que nós não temos”. “É por isso preciso acelerar este processo inevitável e recorrer à introdução dessa nova cultura via ‘sangue novo’. Sei que poderá, numa primeira fase, para muitos ser um choque a chegada de novos quadros ou de quadros estrangeiros”, afirmou, acrescentando que a gestão está preparada “para as críticas que se avizinham, mas o mundo já funciona assim, sem fronteiras.

A gestão das maiores empresas do mundo é multicultural há várias décadas, quem não estiver alinhado ficará sozinho, e nós queremos fazer parte”. “É necessário trazermos a experiência e o know-how de quem já passou pela crise no sector noutros momentos, noutros contextos e que nos ajude a ser mais rápidos na gestão da nossa crise.” A gestão da companhia, reiterou Isabel dos Santos, tem estado focada na adopção das melhores práticas internacionais a todos os níveis, procurando ainda reduzir a burocracia associada às operações. Sob o lema What makes Africa work, a edição de 2017 da FT Africa Summit pretendeu reflectir sobre os pontos fortes, potencialidades e boas práticas do continente africano nos diversos sectores.

O evento reúne anualmente chefes de Estado, políticos, empresários, investigadores e profissionais de várias áreas para uma reflexão acerca do presente e futuro do continente africano. Nesta edição, participaram também Simon Wandke, vice-presidente e CEO do sector de minas da ArcelorMittal, e Pravin Gordhan, anterior ministro das Finanças e actual membro do Parlamento da África do Sul.
 
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