Presidente destaca empenho para pacificar Grandes Lagos
20-10-2017 | Fonte: Angop
O empenho de Angola para ultrapassar, com o apoio dos países da região, as várias situações de conflito nas repúblicas Democrática do Congo, Centro Africana, Burundi e Sudão do Sul, mereceu, nesta quinta-feira, destaque do Presidente da República, João Lourenço.

O estadista angolano, que procedia ao balanço de dois mandatos consecutivos do país à frente da Conferência Internacional sobre a Região dos Grandes Lagos (CIRGL), realçou o apoio prestado, durante o mandato, pela União Africana, Organização das Nações Unidas e União Europeia.

Entre os países da União Europeia fez especial referência à França, que mobilizou meios e homens para neutralizar situações de perigo iminentes que poderiam atingir proporções incontroláveis nestes países.

Durante a abertura da VII Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da CIRGL, o Presidente João Lourenço informou que, em relação à República Democrática do Congo (RDC), se procurou pôr fim à presença de forças negativas que fomentavam o caos no leste do país.

Falou, sobretudo, da presença em território da RDC das Forças Democráticas de Libertação do Ruanda (FDLR) e do desmantelamento das milícias congolesas M-23.

Ainda que a situação não esteja totalmente normalizada, registaram-se progressos substanciais que levaram ao estabelecimento de um diálogo nacional entre o governo, os partidos da oposição e outras forças da sociedade civil, no sentido de se criar um clima propício à realização de eleições em tempo oportuno, ressaltou.

Condenou “com veemência” o ataque ocorrido a 9 de Outubro último às instalações da Missão de Manutenção de Paz das Nações Unidas (MONUSCO) no Kivu Norte, que causou a morte de dois capacetes azuis e o ferimento de 18 tanzanianos, tendo expressado os seus sentimentos de pesar às famílias enlutadas.

Disse que nos últimos quatro anos a República de Angola esforçou-se por acolher, no espírito das relações de amizade e boa vizinhança, milhares de refugiados congoleses fugidos de uma guerra desnecessária e cruel.

Referiu que na República Centro Africana (RCA) conseguiu-se uma transição política exemplar, que culminou com a eleição do Presidente Faustin Archange Touadéra.

Considerou essencial que se ultrapassem as divergências inter-religiosas ainda existentes, para que a RCA possa encontrar finalmente a via do desenvolvimento e do progresso social.

Informou que na República do Burundi foi estabelecido um diálogo inclusivo entre o governo e todas as forças vivas da sociedade, para ultrapassar a crise pós-eleitoral, derivada da interpretação da Constituição do país sobre os mandatos presidenciais.

Lamentou o facto de na República do Sudão do Sul a situação manter-se, apesar dos esforços da CIRGL para que haja um entendimento entre o governo central e as forças que o contestam.

O Presidente cessante da CIRGL enalteceu o apoio das Nações Unidas (ONU), que das 15 missões de paz no mundo, oito são em África, sendo cinco na Região dos Grandes Lagos.

Assinalou que a maior das missões de manutenção de paz no mundo é a da RDC, a MONUSCO, com um efectivo de 21 mil e 607 elementos, seguida a de Darfur/Sudão (UNAMID) com 18 mil 956 membros.

No Sudão do Sul a UNMISS tem 16 mil 987 elementos, o que demonstra a particular atenção atribuída pela ONU ao alcance da paz na Região dos Grandes Lagos.

Integram a CIRGL as repúblicas de Angola, Burundi, Centro Africana, do Congo, Democrática do Congo, Quénia, Uganda, Ruanda, Sudão, Sudão do Sul, Tanzânia e Zâmbia.
 
Comentários
Quer Comentar?
Nome E-mail ou Localização
Comentário
Aceito as Regras de Participação