Activo da banca angolana regista crescimento de 16 porcento
20-10-2017 | Fonte: Angop
O volume de activos agregados dos bancos que operam em Angola registou, em 2016, um crescimento de 16 porcento comparativamente a 2015, ao atingir em oito 8.702 mil milhões de kwanzas (AKz), segundo o estudo sobre o sector bancário apresentado nesta pela empresa de consultoria Deloitte.

Dos activos agregados, cinco bancos nomeadamente BPC, BAI, BFA, BIC e Atlântico detém 73 por cento do total do valor, sendo o BPC, com um 1.691 mil milhões de kwanzas, o líder em termos de activo.

O activo desses cinco bancos bancos registou um crescimento na ordem dos 23 por cento em 2016.

De acordo ainda com a análise, o total dos activos agregados incorpora a valorização dos activos e passivos em moeda estrangeira ao câmbio oficial do Banco Nacional de Angola (BNA).

Por outro lado, o estudo, efectuado a 25 bancos em actividade em Angola, aponta também que os resultados líquidos dos bancos angolanos em 2016 atingiram 174.019 milhões de kwanzas, correspondente a um crescimento de cerca de 55 por cento em relação a 2015.

A respeito do comportamento da banca angolana em 2016, o presidente da Deloitte em Angola, Duarte Galhardas, disse que o sector bancário angolano demonstrou em 2016 um elevado grau de resiliência.

O estudo, intitulado “Banca em análise, nova era, novos caminhos”, apresenta, por outro lado, uma perspectiva do peso dos depósitos em moeda nacional, referindo que estes mantiveram a sua tendência de crescimento, em detrimento da moeda estrangeira, passando a representar 67% dos depósitos totais.

O valor total dos depósitos de clientes no sector bancário nacional foi de AKz 7.043 mil milhões nesse ano, representando um crescimento de 16 por cento face a 2015, valor que incorpora o efeito da valorização dos depósitos em moeda estrangeira ao câmbio oficial.

Em relação ao crédito líquido a clientes, registou-se também um aumento em comparação ao ano 2015. O total de crédito líquido ascendeu a três 3.062 mil milhões de kwanzas, representando um crescimento de 12 por cento face a 2015.

Nesse domínio, o BPC, Atlântico, BAI, BIC e BFA lideram na concessão de crédito. Esta variação de 12 porcento incorpora o efeito da valorização dos créditos concedidos em moeda estrangeira ao câmbio oficial.

O estudo demonstra ainda que o reconhecimento de perdas para o crédito dos bancos aumentou cerca de 0,4% e no tocante ao rácio de crédito vencido este manteve-se nos 13%.

No período em análise, a análise destaca igualmente a adopção plena das Normas Internacionais de Contabilidade e de Relato Financeiro (IAS/IFRS) e a fusão do Banco Privado Atlântico (BPA) com o Banco Millennium Angola (BMA), dois acontecimentos que tiveram impacto em termos de metodologia e nas bases de preparação do estudo.

Face aos desafios económico-financeiros com que o país se tem vindo a defrontar e ao aumento significativo de exigência e complexidade em matéria de regulação e de supervisão bancária emanada pelo Banco Nacional de Angola, a Deloitte conclui que é provável que exista um incremento nos movimentos de consolidação do sector bancário no futuro próximo.

Salienta ainda que, apesar da conjuntura económica adversa materializada nos níveis historicamente baixos da cotação do petróleo nos mercados internacionais, conseguiu alcançar um desempenho positivo, sendo de destacar o reforço dos fundos próprios dos bancos, que registaram um aumento de cerca de 26% em relação a 2015.

Por sua vez, o sócio da Deloitte em Angola, José Barata, explicou que o estudo destaca a trajectória positiva do sector bancário em Angola, consubstanciada na melhoria de uma parte significativa dos indicadores e rácios de relevo para o sector, como o aumento significativo do valor dos depósitos de clientes ou o aumento da utilização de meios electrónicos de pagamento.

Esta é a 12.ª edição do estudo Banca em Análise da Deloitte, que na sua apresentação contou com a presença de gestores de instituições públicas do Estado e dos bancos.
 
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