Futuro aeroporto internacional de Luanda com parto complicado
09-07-2005 | Fonte: Semanário Angolense (Dani Costa)
Alguém saberá por que razão os órgãos de informação públicos (Rna, Tpa e Jornal de Angola) não divulgaram o acto de «apresentação» da maqueta do futuro aeroporto internacional de Luanda, que se pretende erguer na comuna de Bom Jesus, na província do Bengo? Apesar da presença de alguns membros do Governo e dos presumíveis construtores da gigantesca obra – mais uma vez, os chineses – os angolanos não tiveram conhecimento do assunto. Isso indica que alguma coisa não vai bem...

São ainda tímidos e pouco transparentes os passos que vêm sendo empreendidos por alguns sectores do Governo para a construção do futuro aeroporto, no Bengo. A construção do novo aeroporto descongestionará o «velhinho» 4 de Fevereiro actualmente rodeado por centenas de habitações que pondo em perigo a vida dos próprios moradores destas zonas.

Na última sexta-feira, 2 de Julho, um grupo de personalidades ligadas ao sector da aviação, lideradas pelo ministro dos Transportes, André Luís Brandão, dirigiu-se à comuna do Bom Jesus para proceder àquilo que foi considerado por algumas pessoas ouvidas pelo Semanário Angolense como «o lançamento da primeira pedra do futuro aeroporto», opinião, entretanto, não partilhada por outras fontes que considera que a deslocação àquele local da delegação chefiada por André Brandão visou apenas apreciar o terreno onde será erguido aquela infra-estrutura».

No local foi feita a exposição da «maquete» do vindouro aeroporto, um empreendimento que está nas mãos de uma construtora chinesa, seguramente no âmbito das relações que este país assumiu com Angola após o empréstimo de dois biliões de dólares. Foi montado um grande painel, a partir do qual as pessoas puderam apreciar a beleza do futuro empreendimento. Mas o ambiente quase festivo em que decorria a apresentação da maquete foi bruscamente interrompido por camponeses locais que chegaram a originar tumultos. «Essa terá sido a razão que fez com que os órgãos públicos não noticiassem o evento», vaticinou a nossa fonte.

Para além do ministro, estiveram no local vários técnicos seniores do Ministério das Obras Públicas, o director do aeroporto internacional 4 de Fevereiro, Celso Rosa, assim como figuras ligadas aos círculos castrenses. Mas o forte aparato militar e policial mobilizada não foi suficiente para conter o descontentamento dos populares, maioritariamente camponeses, que viram as suas lavras invadidas por dez charruas, que um dia antes da pretensa cerimónia já faziam morada entre os quilómetros 35 e 48 daquela comuna da província do Bengo.

Tendo em conta a presença dos habituais efectivos da Guarda Presidencial, aventava-se a hipótese de que o Presidente da República pudesse participar no referido evento, tendo inclusivamente sido montado uma tribuna de honra.

Mas tudo não passou de fumo sem fogo, desconhecendo-se as razões que fizeram com que José Eduardo dos Santos não se deslocasse ao acto, porque só deixou o país na manhã de Sábado, tendo seguido para Sirte, Líbia, e depois para Israel.

Presume-se que a superfície do aeroporto será de 30 quilómetros quadrados, mas se forem contabilizados também a zona em que estarão localizadas outras infra-estruturas complementares, como lojas, hangares, restaurantes, escritórios e não só, a dimensão poderá rondar os 100 quilómetros quadrados, de acordo com informações que este jornal apurou. O projecto inclui a construção de uma linha-férrea que deverá ligar aquela comuna às províncias de Luanda e, possivelmente, Malange, assim como a edificação de uma unidade hoteleira nas proximidades do aeroporto.

www.semanarioangolense.com
Foto: Placa do Aeroporto 4 de Fevereiro
 
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