Restos mortais de general João de Matos já repousam no Alto das Cruzes
07-11-2017 | Fonte: Angop

Os restos mortais do ex-chefe do Estado Maior General das Forças Armadas Angolanas (FAA), João de Matos, foram a enterrar na tarde desta terça-feira, no cemitério do Alto das Cruzes, em Luanda. Na presença de familiares, membros do executivo, deputados à Assembleia Nacional, altas patentes das Forças Armadas Angolanas, membros dos tribunais superiores, políticos, entidades religiosas, diplomatas, entre outras figuras, foi prestada a última homenagem a um dos mais destacados oficiais generais das FAA.

 

Na leitura do elogio fúnebre, o também ex-chefe do Estado Maior General das FAA e seu companheiro de armas, general de exército Francisco Pereira Furtado, sob comoção, destacou as qualidades de João de Matos, a quem referiu-se como “uma figura emblemática da história recente de Angola e das FAA”.

 

 

Por este motivo, referiu que os seus feitos serão sempre lembrados por todos, quer os que viveram com ele nos diferentes momentos históricos como as gerações vindouras das FAA, “instituição que serviu com bravura, coragem e perseverança”.

 

 

 

Para si, João de Matos era o companheiro e líder excepcional que em circunstâncias sombrias da sua vida se notabilizou dando provas irrefutáveis de reconhecida coragem, calma e serenidade na gestão dos riscos e inconveniências que o momento de guerra impunha.

 

 

 

Em relação às suas qualidades, salientou que entre os membros da instituição castrense o seu nome deve ser daqueles que a “história deve mencionar com letras de ouro” nos seus anais como herói da pátria, juntando a tantos outros que num passado recente marcaram de forma indelével os acontecimentos mais nobres da nossa época.

 

 

 

“A homenagem que rendemos hoje a este destemido combatente, estratega militar e cabo-de-guerra, é o justo reconhecimento da coragem e nobreza de carácter que ombrearam a sua dimensão sociopolítica e militar, cujos exemplos e lições de vida continuarão inapagáveis em nossas memórias”, referiu.

 

 

 

Na leitura de uma mensagem dos antigos combatentes e veteranos da pátria, o secretário de Estado do sector, Clemente Conjuca, referiu-se a sua reconhecida trajectória como destacado guerrilheiro, que deixa um grande legado.

 

 

 

Referiu-se a consternação e dor dos antigos combatentes e veteranos da pátria, pois é um dos principais artífices da independência, paz e reconciliação nacional, sendo igualmente uma referência para a juventude angolana na defesa dos valores da cidadania.   

 

 

A figura de João de Matos foi ainda destacada durante a cerimónia religiosa que se seguiu, sob direcção do cónego Apolónio Graciano, que referiu-se a sua figura como um grande “irmão, amigo e companheiro, que soube demonstrar como um coração humano, mesmo que se encontre em situações difíceis”.

 

 

Soube ser um homem de grande coração, por isso um grande humanista que sabia estender o ombro aos outros, disse.

 

 

General na reforma, João de Matos foi o primeiro chefe do Estado Maior General das FAA, de 1992 a 2001..

 

 

Ingressou nas extintas FAPLA em 1974, e formou-se, de 1983 a 1987, em ciências militares, na Academia Militar de Frunze, antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).

 

 

Durante a carreira militar, exerceu várias funções, entre as quais  comandante de companhia, batalhão, sector de forças especiais, director regional de inteligência militar e de comandante geral.

 

 

A sua liderança foi fundamental para ganhar a batalha contra as então Forças Militares da Unita, após o retomar da guerra em 1992,  na sequencia das primeiras eleições multipartidárias (1991).

 

 

Reorganizou o Exército e a mudança de estratégia, enfatizando a sustentabilidade dos ataques, em vez de ferocidade.

 

 

Foi fundador e presidente da Fundação Kissama em 2001, organização não lucrativa que tinha por objectivo a reabilitação, conservação e desenvolvimento da fauna e flora de Angola.

 

 

O seu primeiro projecto foi lançado em 2010, com o programa Arca de Noé, que teve por objectivo repovoar o Parque Nacional da Quiçama com vida animal trazida da África do Sul.

 
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