Mais de 60 exonerações em 51 dias de João Lourenço
17-11-2017 | Fonte: ECO

João Lourenço tomou posse a 26 de setembro. 51 dias depois, o novo Presidente angolano fez mais de 60 exonerações. A mais marcante foi a saída da Isabel dos Santos da Sonangol.

 

Isabel dos Santos foi exonerada esta quarta-feira da liderança da Sonangol. Um dia depois, João Lourenço deu posse a Carlos Saturnino, o substituto da filha do ex-Presidente angolano. É com esta rapidez que o novo Presidente de Angola tem exonerado e nomeado para vários organismos públicos, traçando uma linha que separa o seu mandato dos longos anos de José Eduardo dos Santos. Quanto ao significado destas mudanças, as opiniões divergem. Só o futuro dirá.

 

A família Dos Santos registou três baixas: Isabel dos Santos saiu da presidência da petrolífera estatal — uma das empresas mais poderosas do país — e os seus irmãos Welwistchea dos Santos e José Paulino dos Santos deixaram de controlar a gestão de dois canais de televisão públicos, o Canal 2 e à TPA Internacional. Resta ainda José Filomeno dos Santos, o gestor do Fundo Soberano de Angola, que recentemente viu-se envolvido no escândalo de offshores Paradise Papers. Além disso, José Eduardo dos Santos, apesar de ter saído do poder, continua a ser o presidente do MPLA, o partido que governa Angola.

 

 

As interpretações feitas às exonerações de João Lourenço são várias. Por um lado, pode ser uma afirmação do próprio enquanto novo presidente, afastando a ideia de que seguiria a doutrina de Dos Santos. Por outro lado, pode ser uma forma de melhorar a opinião pública sobre o regime. Nos discursos que fez após ter sido eleito, João Lourenço chegou a admitir que tinha “inúmeros obstáculos no caminho”, mas garantiu que os compromissos que assumiu eram para cumprir.

 

 

A verdade é que um dia depois de ter afastado Isabel dos Santos, veio a público um relatório em que a gestão de Isabel dos Santos é criticada pela ausência de liderança, de estratégia e de ter mau relacionamento com as companhias petrolíferas — acusações entretanto refutadas pela empresária. 

 

 

Além disso, o presidente já deixou um recado à nova administração para que construa mais refinarias, algo que a empresária não queria. No caso da exoneração do governador do Banco Nacional de Angola a crítica também aconteceu: João Lourenço criticou e desautorizou o governador nomeado por Dos Santos em público, tendo este depois pedido a demissão.

 

 

Várias personalidades angolanas já reagiram a esta onda de exonerações levadas a cabo pelo novo presidente. Jonuel Gonçalves, académico e investigador angolano, em declarações à Lusa, afirmava que a exoneração de Isabel dos Santos era uma forma de João Lourenço testar “os limites do seu poder”. Já Luaty Beirão disse, em entrevista à TSF, que mexer com a família Dos Santos é como “meter a mão no ninho das vespas”.

 

 

Além da Sonangol e do Banco Nacional de Angola, outras empresas estatais viram as suas administrações renovadas. É o caso da empresa de diamantes, a empresa que comercializa os diamantes e a empresa de ferro de Angola. Mas não só: por exemplo, o Gabinete de Revitalização e Execução da Comunicação Institucional e Marketing da Administração criado por José Eduardo dos Santos foi extinto por João Lourenço. Além disso, há o caso do ministro do Trabalho que não compareceu à tomada de posse e, por isso, foi imediatamente exonerado.

 

 

Outro dos setores afetados pelas exonerações do presidente angolano foi o da comunicação social: da Televisão Pública de Angola à Rede Nacional de Angola, passando pela Agência Angola Press (Angop) e a Edições Novembro — empresa que controla o Jornal de Angola, um dos títulos que tem atacado várias personalidades, empresas e jornais portugueses.

 

 

 

 

 

 
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