Laboratório Central rejeita análises de amostras de fezes humanas
12-12-2017 | Fonte: Angop
O Laboratório Central Agro-alimentar de Luanda rejeitou nesta segunda-feira analisar as amostras de fezes humanas que uma quinta agrícola, situada na zona do Benfica, usa como fertilizante para produção de hortícolas.
 
Em declarações hoje (terça-feira) à Angop, a directora-geral do Laboratório Central Agro-alimentar de Luanda, Cleunice da Costa, justificou que a instituição rejeitou analisar estas amostras, levadas pelo Ministério da Agricultura para efeito de análise, por não ser o foco deste laboratório analisar fezes humanas.
 
O Laboratório Central Agro-alimentar de Luanda, afecto ao Ministério da Agricultura e Florestas, tem a missão de analisar solos agrícolas, bens alimentares nacionais e importados e fertilizantes orgânicos e inorgânicos, visando garantir a segurança dos alimentos para a população e prevenir as fraudes.
 
A denúncia do uso de fezes humanas como fertilizante na quinta de cidadãos de origem chinesa surgiu na semana finda nas redes sociais, através dos moradores da zona que, incomodados com o cheiro nauseabundo, alertaram as autoridades sanitárias.
A propósito da situação, a directora provincial da agricultura, Maria do Céu, em declarações à TPA afirmou que vai fazer diligências para saber a proveniência da quantidade de fezes encontradas na quinta agrícola e adoptar medidas, como o encerramento da actividade destes produtores.  
 
Segundo especialistas do sector agrícola e da saúde pública, o uso das fezes humanas em estado puro, sem nenhuma transformação, no cultivo de bens alimentares pode provocar doenças, como a cólera e outras disfunções de fórum gástrico.
 
Para o naturopata, Pascoal Muenho, é necessário que se elabore uma legislação específica para combater acções do género no país, a partir dos produtores.
 
"Os países que usam as fezes humanas para produção de alimentos primeiro passam por uma reciclagem, onde são eliminadas várias bactérias antes da sua utilização", referiu o especialista.
 
Entre várias bactérias tóxicas e nocivas à saúde pública, que contêm as fezes humanas, destaca-se a "Cadaverina" (fórmula química C5H14N2), uma molécula produzida pela hidrólise proteica durante a putrefacção de tecidos orgânicos de corpos em decomposição, de acordo com Pascoal Muenho.
 
A Cadaverina é um dos principais elementos responsáveis pelo odor nauseabundo dos cadáveres.
 
 
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