Créditos dos quatro maiores bancos em queda
15-12-2017 | Fonte: Mercado
Carteiras de crédito dos quatro maiores bancos privados recuam quase 20% no terceiro trimestre deste ano, face ao homólogo. Na origem da queda pode estar o facto de terem sido feitas amortizações, mas o principal ‘culpado’ é o conservadorismo das instituições, que hesitam em financiar a economia, preferindo comprar dívida ao Estado.
 
Os quatro principais bancos comerciais privados do sistema financeiro angolano apresentaram uma evolução negativa nas suas carteiras de crédito no terceiro trimestre , face ao período homólogo, de acordo com cálculos do Mercado baseados nos balancetes das instituições referentes ao período compreendido entre Julho e Setembro deste ano.
 
Até ao terceiro trimestre de 2017, o grupo composto por Banco Millennium Atlântico (BMA), Banco Angolano de Investimento (BAI), Banco BIC e Banco de Fomento Angola (BFA) detinha uma carteira de crédito na ordem de 1,3 mil milhões Kz, reflectindo um decréscimo de 19,3%, face ao homólogo.
 
O decréscimo corresponde a cerca de 310,7 mil milhões Kz, montante superior às carteiras de crédito de BIC e BFA, duas instituições bancárias na linha da frente na aquisição de títulos da dívida pública. No caso do BIC, a dívida pública representa cerca de 55,1% do activo, enquanto no BFA equivale a 55,4%.
 
No grupo em análise, o BMA é o maior credor no sistema bancário, com um volume de crédito estimado em 428,06 mil milhões Kz, ou seja, 32,95% do total dos quatro bancos. O BAI tem uma quota de 27,93%, o BIC, de 23,11%, enquanto a do BFA – o mais lucrativo – é de 16%.
 
Apesar de o BMA ter a maior carteira de crédito, esta teve um recuo de 3,4% no terceiro trimestre, face ao período homólogo. No BAI, o decréscimo foi de 0,58%, no BIC, de 8,3%, e no BFA, de 12,9%.
 
 
Bancos protegem-se do malparado
 
A fraca concessão de crédito bancário tem suscitado discussão entre especialistas, que denunciam a falta de vontade e interesse por parte das instituições bancárias, com a ‘cumplicidade’ do Estado (por ser o principal tomador do financiamento da banca) em ceder crédito à economia.
 
“As instituições financeiras bancárias estão numa zona de confortocriadapelopróprioEstado,quesesocorredosban- cos de grande dimensão para obter financiamento, através da emissão de títulos da dívida pública, a fim de fazer face ao défice orçamental”, declara Adriana P. Fonseca, mestre em Finanças Internacionais.
 
Para Adriana Fonseca, a conjuntura macroeconómica deixou de ser desculpa para justificar a fraca concessão de crédito, porque “há sinais de valorização do crude nos mercados internacionais. Empresários sul-africanos estão interessados investir cá ”,diz, alertando que os bancos se preocupam mais com os cambiais.
 
“Hoje, os bancos deixaram de exercer a sua actividade originária ,que é a intermediação bancária (captação de depósitos e concessão de créditos). Vivem da aquisição de títulos de dívida pública e outros negócios, menos os tradicionais”, afirma.
 
Artur de Brito, contabilista com experiência bancária, diz que a evolução negativa da carteira de créditos e poderá dever- -se a três razões: “Vencimento do crédito, pagamento ou aumento das provisões para crédito malparado”, diz, reconhecendo haver, por parte da banca, cautelas na concessão de crédito.
 
“Nesta fase, as empresas têm dificuldades em honrar os compromissos com os bancos, que encontram dificuldades para recuperar o capital investido, porque não há garantias reais. Logo, as instituições financeiras devem ser pondera- das”,afirma Artur de Brito.
 
 
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