Podemos-JA com makas à nascença
18-12-2017 | Fonte: JA
Líderes de partidos políticos que integram a CASA-CE divergem quanto à entrada da nova formação política Podemos-JA (Juntos por Angola) na coligação. O Podemos-JA deve remeter em breve ao Tribunal Constitucional a documentação para a sua legalização como partido político, depois de meses a funcionar com uma comissão instaladora.
 
O vice-presidente da CASA-CE, Alexandre Sebastião André, é contra a criação do Podemos-JA , formação política concebida para absorver os apoiantes independentes da CASA-CE que não se revêem em nenhum dos seis partidos que integram a coligação.
 
Alexandre Sebastião André, que foi uma das vozes dissonantes da transformação da CASA-CE em partido político, é agora contra a ideia de um grupo de apoiantes da coligação criar uma  formação política com personalidade jurídica própria para  defender o direito de outros integrantes até aqui apartidários.
 
“É normal e legítimo um grupo de cidadãos que não se revêem num partido ou coligação formar um ente jurídico novo. Mas, no caso do Podemos-JA, não é legítimo, porque está a ser criado por cidadãos que já são militantes da coligação, com cargos de direcção na CASA-CE e representando a coligação em órgãos públicos do Estado”, disse Alexandre Sebastião André.
 
 
O Podemos-JA está em fase embrionária e vê-se ainda agora, à nascença, a braços com a primeira contrariedade de um dos integrantes da coligação que contribuiu para a sua entrada na coligação, com o seu partido PADA. 
Alexandre Sebastião André, antigo deputado do extinto PAJOCA (Partido da Aliança da Juventude Operária e Camponesa de Angola), de Miguel Tetembwa, é o novo rosto da contestação. 
 
 
“Ao integrarem o Podemos-JA , os membros da coligação incorrem numa ilegalidade, a dupla filiação, o que viola a Lei dos Partidos Políticos. Os mesmos cessam a militância nesta coligação em virtude de ser ilegal a dupla militância”, disse o deputado pela coligação. Alexandre Sebastião André esclareceu que “não há entrada automática de qualquer partido na coligação”. “Se quiserem entrar na CASA-CE devem observar o procedimento próprio para a adesão, requerer e esperar que o órgão próprio delibere sobre o pedido requerido”, disse.
 
 
Em sentido contrário, Abel Chivukuvuku, líder da CASA-CE, considera normal o processo de formação do Podemos-JA e, na reunião para a aprovação dos estatutos no sábado em Luanda, disse: “A minha agenda pessoal, que espero seja a vossa agenda, são os milhões de angolanos que pretendem ter uma perspectiva diferente de vida e não continuarem no sofrimento.”
 
 
Filomeno Vieira Lopes, do Bloco Democrático, um dos partidos integrantes da coligação, considerou que a CASA-CE sai mais forte com esta nova formação política. “É uma conjugação de várias forças políticas e tudo agora vai depender da nossa capacidade de articulação. Este grupo acredita que pode dar o melhor contributo no seio da CASA-CE, e é isso que esperamos”, disse.  Os trabalhos da assembleia constituinte da formação política terminaram no sábado, com a aprovação dos estatutos da formação política. Do encontro, que contou com cerca de 500 delegados de 17 das 18 províncias do país, resultou que o próximo passo a ser dado é a composição da equipa, no próximo mês, que vai dirigir o Podemos-JA .
 
 
O porta-voz do encontro, Félix Miranda, disse que, em relação à liderança do Podemos-JA, Abel Chivukuvuku não é o líder. “Ele é o líder da coligação CASA-CE. O líder do Podemos-JA deve ser encontrado em eleições num processo aberto a todos os militantes”, disse. O líder da plataforma deve ser encontrado mediante um congresso electivo. Félix Miranda reforçou que o objectivo é criar um ente para congregar os independentes.
 
 
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