Comunicações sem Angosat custam 100 milhões /ano
27-12-2017 | Fonte: O País
Angola poderá ver aliviada a pressão sobre as divisas no que concerne à aquisição de serviços de telecomunicações com a entrada ontem, em órbita, a partir do cosmódromo Baikonur, no Cazaquistão, do seu primeiro satélite, o Angosat1. O momento é considerado histórico pelos angolanos por ser o dia em que o país inscreveu o seu nome na era espacial. Dados do Ministério das Telecomunicações e Tecnologias de Informação indicam que Angola gastava cerca de USD 100 milhões por ano.
 
E o secretário de Estado para as Tecnologias de Informação, Emílio Homem, aponta como sendo principais beneficiários directos do projecto de investimento do Estado angolano avaliado em USD 320 milhões, os operadores de telecomunicações e os transversais sectores da saúde e da banca. “Um satélite em órbita trará benefícios transversais a outros sectores por exemplo na saúde. Como é que o satélite pode ajudar? Nós com a infra-estrutura do satélite podemos promover os serviços da telemedicina e ao fazê-lo nestes hospitais os médicos de zonas periféricas podem interagir com os médicos de especialidade dos hospitais centrais de referência”, sublinhou.
 
Segundo Emílio Homem, no âmbito da inclusão social, os órgãos de comunicação social serão igualmente beneficiados aumentando a sua capacidade de transmissão. “As rádios e a televisão são grandes beneficiários deste serviço de satélite. Portanto, vão poder aumentar a sua capacidade de transmissão com as larguras de banda que hoje são adquiridas fora do pais e a um custo bastante elevado e vamos poder guardar essas divisas ou levá- las para outros sectores da vida nacional para onde tenhamos mais necessidades”, frisou.
 
Para além disso, muitas empresas e países já solicitaram os serviços do Angosat1, tendo já sido estabelecidos pré-contratos com a África do Sul, República Democrática do Congo (RDC), Moçambique e Namíbia na ordem de mais de 60% da banda KU. Os benefícios sentidos a curto e médio prazos As empresas de telecomunicações poderão operar a custos mais reduzidos facto que se repercutirá na redução no preço final dos serviços prestados. Para o governador da província de Luanda, Adriano Mendes de Carvalho, que assistiu ao lançamento a partir da Marginal de Luanda, é uma honra assistir à entrada em órbita do primeiro satélite angolano que reforça o sentimento de angolanidade e que, futuramente, poderá proporcionar a redução dos preços no sector das telecomunicações em geral.
 
O tempo de vida do satélite é de 15 anos com uma tolerância de 12 anos. Nos primeiros cinco anos a gestão do satélite será feita na Rússia e posteriormente transferida para o centro de controlo da Funda, em Luanda. O Angosat, construído na Rússia, com mil 55 quilogramas e 262.4 quilogramas de carga útil, ficará na posição orbital 14.5 E e terá uma potência de três mil 753 W, na banda CKu, com 16C+6Ku repetidores. Terá 15 anos de “vida útil”. Como satélite geo-estacionário artificial, o Angosat estará localizado a 36 mil quilómetros acima do nível do mar. A sua velocidade coincidirá com o da rotação da terra e conseguirá cobrir um terço do globo terrestre. O centro de controlo e missão de satélites do Angosat1 encontra- se na comuna da Funda, Norte da província de Luanda.
 
O satélite angolano vai possuir um centro primário de controlo e missão em Angola e outro secundário na Rússia, em Korolev. Este é um dos sete projectos do Programa Espacial nacional. A 13 de Novembro de 2017, o vice- primeiro-ministro da Federação Russa, Yuri Trutnev garantiu que o satélite AngoSat-1, construído pela Corporação Energética de Míssil e Espaço da Rússia, para o Governo angolano, está programado para ser lançado neste mês. Em 2009 firmou-se o contrato entre Angola e a Rússia, representados pelo Ministério das Telecomunicações e Tecnologias de Informação da República de Angola e FSUE “Rosoboronexport”, respectivamente, para a construção, lançamento e operação do satélite ANGOSAT-1.
 
O ANGOSAT é a denominação do primeiro satélite angolano geoestacionário que fornecerá oportunidades de expansão dos serviços de comunicação via satélite, acesso à Internet e rádio. O satelite terá um periodo de adaptação de aproximandamente dois meses antes da sua entrada em operação. Assistiram o lançamento no Cazaquistão, o ministro de Estado do Desenvolvimento Económico e Social, Manuel Nunes Júnior e José Carvalho da Rocha, ministro das Telecomunicações e Tecnologias de Informação e coordenador geral da Comissão Interministerial para a Coordenação do Programa Espacial Nacional.
 
 
 
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