Portugal não comenta encerramento de consulados angolanos no país
21-01-2018 | Fonte: NJ
O ministro dos Negócios Estrangeiros português, Augusto Santos Silva, recusou comentar os planos de encerramento dos consulados de Angola em duas cidades portuguesas, sublinhando apenas que as relações diplomáticas entre os dois países "são, neste momento, excelentes", avaliação entretanto secundada pelo Presidente da República luso.
 
Questionado sobre a intenção do Governo angolano de encerrar os consulados em Lisboa e Faro, o chefe da Diplomacia portuguesa respondeu não ter nada a dizer, acrescentando que "essas comunicações são por via formal".
 
Segundo Augusto Santos Silva, citado pela agência Lusa, "as relações diplomáticas entre os dois países são, neste momento, excelentes".
 
O governante luso deu como exemplo dessa excelência "a confirmação da hora e do local do próximo encontro bilateral de alto nível entre Portugal e Angola em Davos, na Suíça", que vai juntar o Presidente João Lourenço ao primeiro-ministro português, António Costa.
 
 
O ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal desvalorizou igualmente a polémica sobre possíveis retaliações de Luanda a Lisboa, em resposta à recusa da Justiça lusa de transferir para Angola o processo contra o ex-vice-Presidente Manuel Vicente.
 
 
"Não temo nada. Não ignoro que há aqui - como o primeiro-ministro disse, numa expressão que me pareceu feliz - um irritante. Há uma agravante que é: a solução desse irritante não está nas mãos, nem do presidente da República, nem da Assembleia da República, nem do governo. Não está nas mãos do poder político, mas com paciência, com sentido de Estado, com a responsabilidade de todos, superaremos esse irritante e convém não exagerá-lo", declarou.
 
 
Santos Silva demarcou-se dessa polémica judicial, sublinhando que "à justiça o que é da justiça, à política o que é da política", e lembrou que a sua missão é tratar apenas da política externa.
 
 
Neste domínio, o governante garante que ministério que tutela tem trabalhado para que "o relacionamento entre Portugal e Angola se intensifique" porque é um "interesse recíproco".
 
 
"Nós temos muito densas relações históricas, partilhamos a mesma língua, pertencemos a várias organizações multilaterais e concertamos as nossas posições dentro dessas organizações e temos um relacionamento económico muito denso", salientou.
 
 
As declarações do chefe da Diplomacia portuguesa foram entretanto secundadas pelo Presidente da República de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, que também não se quis pronunciar sobre o possível encerramento dos consulados angolanos em terras lusas.
 
 
"Não queria agora comentar nada. O senhor ministro dos Negócios Estrangeiros já disse que as relações diplomáticas estão a correr em muito bom plano, ele até utilizou a palavra excelentes", afirmou o Chefe de Estado, acrescentando: "Politicamente, diplomaticamente, é verdade".
 
 
A leitura portuguesa não parece coincidir com a angolana, a avaliar pelas recentes declarações do Presidente da República.
 
 
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