Angosat está à deriva - ANGONOTÍCIAS
Angosat está à deriva
25-01-2018 | Fonte: CA
Desde o lançamento do Angosat-1 a 26 de Dezembro último, no cosmódromo de Baikonur, Cazaquistão, o assunto imergiu em prolongado silêncio por parte das autoridades nacionais – apenas entrecortado muito espaçadamente por escassa informação técnica dos especialistas russos que operam o engenho espacial e por rumores e palpites populares – que não tem permitido que o público em geral saiba o ponto de situação real do satélite.
 
Entretanto, fonte do universo técnico do país, que vem acompanhado este assunto a par e passo, disse ao Correio Angolense (CA) que “o silêncio tumular que reina sobre o assunto apenas indicia que o Angosat-1 está mesmo a passar por sérias contrariedades técnicas que o podem comprometer irremediavelmente”.
 
Tais contrariedades técnicas, segundo a fonte deste jornal que solicitou o anonimato, estarão muito para além das anomalias com a fonte de alimentação do satélite que foram relatadas pela empresa espacial russa RSC Energia. Na última semana, com efeito, Vladimir Solntsev, director da empresa que liderou o consórcio responsável pela construção do satélite, informou que esse défice energético teria levado os russos a colocar o aparelho em modo de economia de energia.
 
 
“Surgiram alguns problemas técnicos com a fonte de alimentação. Por isso fomos obrigados a colocar o aparelho no modo de economia de energia, ou seja, em regime seguro”, explicou Solntsev, adiantando na ocasião que o Angosat-1 saiu da zona de rádio-visibilidade, para a qual apenas se prevê que regresse em meados de Abril.
 
 
Outra versão do que se terá passado com a nave veio do jornal russo Izvestia, o qual citando fontes especializadas, atribuiu o défice de energia do Angosat-1 a sérios problemas no sistema electrónico fornecido pela francesa Airbus, cujo material teria revelado incompatibilidades com o material russo. De modo que o Angosat-1 estava com a longitude de 55 graus quando devia estar em 13 graus E. A 9 de Janeiro a nave derrapou desse ponto sem ligar os motores para a travagem no comando da terra. O aparelho acabou ganhando uma velocidade de 3º dia, com a qual saiu da zona de observação do centro de controlo russo. À distância os especialistas reduziram a alimentação de energia no sistema de modo a reabilitarem o Angosat-1, esperando que em Abril reapareça na zona de radiovisibilidade.
 
 
Estas expectativas dos russos são no entanto contrariadas pela fonte do Correio Angolense em Angola. Esta entende que, tal como elas têm vindo a ser passadas para o público, as informações dos russos “apenas representam um paliativo informativo para ocultar complicações no Angosat-1 que são na realidade de maior gravidade. E só isso, por seu turno, justificaria o silêncio das autoridades angolanas em torno do assunto.
 
 
Avaliando a situação, a fonte diz que o que se deve dizer, em linguagem terra-a-terra, é que os contratempos sofridos pelo Angosat-1 colocaram-no como que à deriva. Provavelmente já mesmo depois de ter ocorrido a primeira falha imediatamente após o seu lançamento em órbita com recurso ao foguete ucraniano Zenit-3SLB. Ou seja, o engenho espacial não parou na posição de referência prevista e acabou por ficar fora de zona de contacto, sendo as probabilidades de recuperação bastante remotas.
 
 
Assim, embora os operadores russos falem em três meses para o retorno à normalidade, a fonte contactada pelo CA diz “ser melhor que todos se preparem, desde já, para o pior”. Disse não serem grandes as chances de recuperação. Na sua óptica existem somente 5% de êxito, contra 95% de hipóteses de malogro total e completo.
 
 
Em suma, o satélite corre sérios riscos de se perder definitivamente. “Os russos não o disseram, abertamente. Mas a analogia mais trivial e comum que se pode fazer para entendermos o que realmente se terá passado com o Angosat-1 após o seu lançamento, seria compará-lo, por exemplo, a uma aeronave que falha uma aterragem e despista-se”, considerou a fonte do CA.
 
 
“Depois disso, ou o piloto é muito bom e consegue ainda assim controlar o avião, ou resulta tudo em catástrofe. Ora, no espaço é diferente. A despistagem no caso de um satélite que falha o ponto de paragem em órbita pode simplesmente corresponder a uma situação de entrada em deriva completa”, descreveu a fonte completando a analogia.
 
 
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