Familiares do jovem morto pelo filho do director do SIC Luanda clamam por Justiça
07-02-2018 | Fonte: CK
Os familiares de Ricardo Ribeiro, o jovem assassinado em 2017, por um amigo seu, Welliton Pederneira (na foto) filho do Director Adjunto do Serviço de Investigação Criminal de Luanda, adoptaram, nestes últimos dias, um discurso que indicia a realização da justiça pelas próprias mãos, fruto de o acusado estar a beneficiar de liberdade em termos que eles não percebem até aqui e os juristas consultados afirmarem, categoricamente que aquele crime não é passível de nenhuma medida cautelar, quer de liberdade provisória quer de identidade de residência, previstas na Lei de Medidas Cautelares em Processo Penal. 
 
O assunto que passou a dominar pautas jornalísticas de alguma imprensa nos últimos quinze dias está a enfurecer pessoas de vários estratos sociais, fruto, em parte, da falta de explicação pública, por parte do tribunal ou procuradoria e, de igual forma, o facto de o jovem estar a circular no bairro da Vila Alice, em Luanda.
 
Durante a semana passada, os familiares disseram, em entrevista à TV Zimbo, que o jovem tem estado a ameaçar os mesmos que o abordam para saber das razões da sua soltura um ano depois do assassinato. 
 
 
“Ele agora passa por nós e ainda nos ameaça quando questionamos à sua liberdade. Diz que se continuarmos a nos meter na vida dele vai trazer polícia para nos deter”. Rematou uma das senhoras presentes na entrevista.
 
 
De recordar que o Ministério do Interior, em Luanda, através da Polícia Nacional e o Serviço de Investigação Criminal, na pessoa do intendente, Mateus Rodrigues, falando recentemente à margem da conferência de imprensa em que foram apresentados jovens suspeitos de cometerem crimes diversos fez saber que a soltura do jovem envolvido no assassinato que ficou conhecido como “assassino da Vila Alice” não tinha nada a ver com a corporação que representa porquanto aquele organismo tinha feito o trabalho de casa que se consubstanciava na detenção do homicida, instrução do respectivo processo e a consequente remessa à Procuradoria. 
 
 
Noutra instância, o Porta-voz dos Serviços Prisionais, confirmou a soltura do jovem, em entrevista a Rádio Despertar. Cassoma, esclareceu que a missão do organismo representa é deter ou soltar desde que o réu ou arguido apresenta um mandado ou de detenção ou soltura. “confirmo, sim a soltura do jovem mediante soltura emitida pelo próprio tribunal. Nós não podemos recusar a detenção ou soltura de alguém se o tribunal apresentar o respectivo mandado e ele saiu porque apresentou o competente expediente para tal. Portanto, só o tribunal pode esclarecer os motivos da soltura mas sabemos que saiu com uma medida cautela que é o termo de identidade e residência”. Concluiu o jovem.
 
 
Um dos irmãos da vítima identificado apenas por Pedro disse, no espaço radiofónico “a voz do cidadão” do Programa Postal da Manhã, da Radio Despertar, emitido na manhã desta terça-feira, 06 que vai matar o Williton.
 
 
“Eu sou irmão do falecido e também vou lhe matar” disse em conversa, ao telefone, com o jornalista, António Festos.
 
 
O pronunciamento daquele jovem está a ser interpretado, nos meandros do crime como uma manifestação de frustração dos familiares que diante da incapacidade do Estado em realizar a justiça entendem faze-lo pelas próprias mãos.
 
 
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